InícioSaúdeFALTA DE MEDICAMENTOS E CONDIÇÕES DE TRABALHO AGRAVA TENSÃO NO SECTOR DA...

FALTA DE MEDICAMENTOS E CONDIÇÕES DE TRABALHO AGRAVA TENSÃO NO SECTOR DA SAÚDE

Resumo

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) prolongou a greve no setor da saúde devido a más condições de trabalho e falta de materiais médicos, exigindo melhorias imediatas. O presidente da associação, Anselmo Muchave, alertou para a precariedade das unidades sanitárias, com profissionais a trabalhar sem proteção adequada e mães a dormir em condições precárias nas maternidades. Além disso, apontou problemas estruturais como atrasos salariais e falta de progressão na carreira, afirmando que tais questões afetam a qualidade dos serviços prestados à população. A APSUSM criticou a abordagem do Governo, recusando visitas como solução e exigindo propostas concretas com prazos e compromissos para pôr fim à greve. Muchave sublinhou que a greve continuará até que as exigências sejam atendidas, defendendo que os direitos não devem ser suplicados, mas sim conquistados.

Por: Virgílio Timana

A Associação dos Profissionais de Saúde Unidos e Solidários de Moçambique (APSUSM) anunciou, esta segunda-feira, a prorrogação da greve no sector da saúde, reforçando um clima de tensão que se tem vindo a intensificar nas últimas semanas. A decisão foi tornada pública durante uma conferência de imprensa realizada às 9h00, na qual a organização procurou explicar as razões da continuidade da paralisação e expor os desafios que afectam o funcionamento das unidades sanitárias em todo o país.

Na ocasião, o presidente da associação, Anselmo Muchave, apresentou um retrato preocupante das condições de trabalho, sublinhando que muitos profissionais continuam a exercer funções sem os meios mínimos de protecção e assistência. “Paramos por dois motivos que são gigantes: primeiro, as condições de trabalho. Hoje, em Moçambique, profissionais de saúde atendem com sacos plásticos nas mãos porque não têm luvas, trabalham sem máscaras, sem óculos e sem material médico-cirúrgico. Isto não é trabalho, é um crime contra a saúde pública”, afirmou. O responsável acrescentou ainda que “nas maternidades, há mães que dormem no chão ou em estruturas improvisadas, o que demonstra a gravidade da situação nas unidades sanitárias”.

Além das dificuldades materiais, Muchave apontou também problemas estruturais ligados à valorização profissional, referindo atrasos salariais, ausência de subsídios e bloqueios nas progressões de carreira. Segundo defendeu, estes factores contribuem para o desgaste dos trabalhadores e comprometem a qualidade dos serviços prestados à população.

Entretanto, apesar do impacto da greve, a APSUSM insiste que a luta não é contra os cidadãos, mas em defesa de melhores condições para os atender. “Essa greve não é contra o povo, é para o povo. O mesmo profissional que hoje atende sem medicamentos e sem condições é o que amanhã vai atender os nossos familiares, e queremos fazê-lo com dignidade”, sublinhou o presidente.

Por outro lado, a associação manifestou reservas quanto à forma como o Governo tem conduzido o diálogo, criticando a proposta de visitas às unidades sanitárias como estratégia de avaliação. Para Muchave, tal iniciativa não resolve os problemas de fundo e pode servir apenas para criar uma percepção pública de avanços. “O Governo quer que visitemos as unidades sanitárias, mas isso não salva vidas. O que salva vidas é material médico-cirúrgico, medicamentos e condições de trabalho. Não precisamos de visitas, precisamos de soluções concretas, com prazos e compromissos assinados”, declarou.

Neste contexto, a APSUSM exige a apresentação de propostas formais, com datas e valores definidos, reiterando que a greve só será suspensa quando houver garantias efectivas de abastecimento de medicamentos e equipamentos, bem como a regularização dos direitos laborais. “A greve mantém-se até termos respostas concretas. Direito não se implora, conquista-se”, reforçou Muchave.

Esta posição surge na sequência de denúncias feitas em Março, nas quais os profissionais de saúde acusaram o Governo de minimizar a gravidade da crise no sector. Na altura, a associação alertou para a escassez crítica de medicamentos essenciais, como paracetamol e metronidazol injectáveis, situação que, segundo os profissionais, tem comprometido tratamentos e contribuído para o aumento de mortes em várias unidades hospitalares.

Ao mesmo tempo, foram levantadas dúvidas sobre a gestão de donativos internacionais destinados ao sector da saúde. A APSUSM questiona a transparência no processo, alegando que muitos dos produtos anunciados não chegam efectivamente às unidades sanitárias. “Se há medicamentos, queremos ver guias de entrega, com prazos e responsabilidade. Não basta anunciar, é preciso que cheguem aos hospitais”, insistiu o presidente.

Ainda assim, e apesar do impasse, a associação afirma manter abertura para o diálogo, desde que este resulte em compromissos concretos e verificáveis. Até lá, a paralisação prossegue, num momento em que o sistema nacional de saúde enfrenta limitações significativas e a população acompanha com crescente preocupação os seus efeitos.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Primeira-Dama defende aprimoramento de mecanismos para a "sã convivência" no país

0
A Primeira-Dama da República defende o aprimoramento dos mecanismos para promover uma convivência saudável, apesar das diferenças de opinião na sociedade....
- Advertisment -spot_img