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COMÉRCIO ENTRE A UNIÃO EUROPEIA E A SADC CRESCE 26%

Resumo

O comércio entre a União Europeia (UE) e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) cresceu 26% na última década, impulsionado pelo Acordo de Parceria Económica (APE) assinado em 2016. As trocas comerciais atingiram cerca de 51 mil milhões de euros em 2024, beneficiando produtos como alumínio moçambicano e pescado namibiano. A UE é o maior parceiro comercial da região, financiando projetos de agricultura, infraestruturas e transformação digital. Apesar do crescimento, persistem desafios estruturais, como a dependência de matérias-primas e a necessidade de industrialização para um desenvolvimento sustentável. Moçambique vê no acordo oportunidades para diversificar a sua base produtiva. A parceria estratégica entre a UE e a SADC destaca-se pela importância em matérias-primas, energia e mercados emergentes, mas o futuro do comércio dependerá da competitividade económica da região.

Por: Alfredo Júnior

O comércio entre a União Europeia (UE) e a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) registou um crescimento de 26% na última década, confirmando o fortalecimento das relações económicas entre os dois blocos num contexto marcado pela procura de novos mercados, diversificação de parceiros comerciais e reforço da integração regional.

Os dados divulgados pela Comissão Europeia surgem num momento simbólico, uma vez que 2026 assinala dez anos da assinatura do Acordo de Parceria Económica (APE) entre a União Europeia e os países da SADC participantes no acordo, nomeadamente Moçambique, África do Sul, Botswana, Lesoto, Namíbia e Essuatíni. O mecanismo entrou plenamente em funcionamento após a adesão efectiva de Moçambique em 2018 e é apontado como um dos principais factores por detrás do crescimento das trocas comerciais entre as duas regiões.

Segundo a Comissão Europeia, o comércio total entre a União Europeia e os países abrangidos pelo acordo atingiu cerca de 51 mil milhões de euros em 2024. Desde a entrada em vigor do APE, as exportações da SADC para o mercado europeu cresceram aproximadamente 50%, enquanto as exportações europeias para a região aumentaram cerca de 21%, resultando num crescimento global superior a um terço ao longo do período.

Para os países da África Austral, o acordo abriu oportunidades de acesso preferencial a um dos maiores mercados do mundo. Produtos como alumínio moçambicano, pescado namibiano, açúcar do Essuatíni, carne bovina do Botswana e diamantes provenientes de vários países da região beneficiaram da redução ou eliminação de barreiras comerciais.

A União Europeia continua a ser o maior parceiro comercial da região abrangida pelo acordo, desempenhando igualmente um papel importante no financiamento de programas ligados à agricultura, infra-estruturas, transformação digital, gestão de recursos naturais e integração regional. Recentemente, Bruxelas anunciou a mobilização de cerca de 195,9 milhões de euros para apoiar projectos estratégicos na região da SADC.

Contudo, o crescimento das trocas comerciais não elimina os desafios estruturais que continuam a marcar as economias da África Austral. Analistas observam que grande parte das exportações da região continua concentrada em matérias-primas e produtos de baixo valor acrescentado, enquanto as importações provenientes da Europa são dominadas por produtos industriais, equipamentos e tecnologia. Esta realidade alimenta o debate sobre a necessidade de transformar o crescimento comercial em industrialização efectiva e desenvolvimento sustentável.

No caso de Moçambique, o aumento das exportações para a Europa tem sido impulsionado sobretudo pelo alumínio, produtos agrícolas e recursos naturais. No entanto, especialistas defendem que o verdadeiro potencial do acordo só será plenamente aproveitado quando o país conseguir diversificar a sua base produtiva e aumentar a participação de produtos transformados nas exportações.

À medida que a competição global se intensifica e novas alianças económicas ganham relevância, a parceria entre a União Europeia e a SADC assume um peso estratégico crescente. Para a Europa, a região representa um parceiro relevante em matérias-primas, energia e mercados emergentes. Para os países da África Austral, a UE continua a ser uma fonte importante de investimento, financiamento e acesso a mercados.

A evolução das trocas comerciais nos próximos anos dependerá não apenas dos acordos existentes, mas também da capacidade dos países da região em reforçar a competitividade das suas economias e converter o crescimento do comércio em benefícios concretos para as populações.

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