InícioRevistaSociedadeMoçambique já vacinou 50% do gado nas zonas prioritárias de Matutuíne

Moçambique já vacinou 50% do gado nas zonas prioritárias de Matutuíne

Maputo, 18 Ago (AIM) – Moçambique já vacinou cerca de 50 por cento do efectivo bovino nas zonas prioritárias do distrito de Matutuíne, província de Maputo, contra a febre aftosa e prepara-se para receber mais de um milhão de doses de vacina.

Neste momento o país não regista nenhum caso activo da doença.

Os dados foram avançados hoje (18), em Matutuíne, pelo director-adjunto de Sanidade e Biossegurança, Abel Chilundo, durante a visita técnica da delegação dos Serviços Veterinários do Reino de Eswatini, no âmbito do reforço da cooperação bilateral entre a República de Moçambique e o Reino de Eswatini no domínio da sanidade animal.

“Podemos assegurar que aqui no distrito de Matutuíne já vamos em cerca de 50% do efectivo, ou um bocadinho mais, imunizado”, afirmou.

Afirmou ainda “estou a falar efectivamente das zonas de maior risco, mas ainda temos Namaacha que temos que atacar, porque é uma zona limítrofe”.

Segundo Chilundo, o país recebeu recentemente mais de 300 mil doses de vacina e dispõe actualmente de cerca de 400 mil doses armazenadas, estando ainda prevista a recepção faseada de mais de um milhão de doses para reforçar a resposta à doença nos próximos meses.

A vacinação está concentrada nas províncias de Maputo, Gaza, Manica e Tete, consideradas de maior risco. A estratégia pretende assegurar a protecção dos efectivos pecuários nas zonas mais vulneráveis, particularmente junto às fronteiras e em áreas onde existe maior possibilidade de contacto entre animais domésticos e fauna bravia.

“Se os esforços não forem conjugados ou realizados unilateralmente, não poderão resultar naquilo que é o controlo efectivo que se pretende em relação a essa doença”, afirmou Chilundo, defendendo uma resposta coordenada entre Moçambique, Eswatini e África do Sul.

O responsável explicou que Eswatini perdeu o estatuto de país livre de febre aftosa sem vacinação após o registo de um surto associado à vizinha África do Sul, situação que, segundo as autoridades veterinárias moçambicanas, demonstra os riscos de uma resposta isolada perante uma doença que atravessa fronteiras.

Assegurou que Moçambique não regista actualmente nenhum caso activo de febre aftosa e, segundo Chilundo, não existe nenhuma área ou província sob restrições de circulação de animais devido à doença. Os últimos casos registados no país ocorreram em 2025, tendo o mais recente sido identificado em Novembro, na província de Maputo.

Chilundo apontou ainda o búfalo como um dos principais reservatórios naturais do vírus, alertando que o contacto entre animais bravios e domésticos, sobretudo em zonas comuns de pastagem durante a época seca, mantém o risco de ocorrência de novos surtos.

“Enquanto existir búfalo, sempre existirá febre aftosa”, afirmou, sublinhando a importância da vacinação dos animais domésticos para reduzir a possibilidade de transmissão da doença e proteger os efectivos dos produtores, sobretudo os do sector familiar.

Já a chefe da delegação dos Serviços Veterinários de Eswatini, Sihle Mdluli, afirmou, por seu turno, que as medidas observadas em Matutuíne são semelhantes às adoptadas no seu país, embora Eswatini combine a vacinação com outras medidas de controlo, incluindo a contenção da movimentação de animais.

Mdluli explicou que Eswatini iniciou a vacinação contra a febre aftosa em Maio de 2025, depois de a doença ter entrado no país a partir da África do Sul e se disseminado para várias regiões, incluindo a zona oriental, próxima da fronteira com Moçambique.

Segundo a responsável, o surto provocou fortes impactos económicos, obrigando à interrupção da exportação e movimentação de animais e afectando particularmente os pequenos produtores, que ficaram impedidos de comercializar o seu efectivo.

A visita técnica da delegação eswatini, composta por 15 técnicos e chefiada por Sihle Mdluli, decorreu no âmbito da campanha de vacinação contra a febre aftosa em curso em Matutuíne.

A actividade foi liderada pela Direcção Nacional de Sanidade e Biossegurança (DINASAB) e enquadra-se nos contactos e entendimentos mantidos entre as autoridades veterinárias de Moçambique e Eswatini, com vista ao reforço da coordenação, à troca regular de informação epidemiológica e à implementação de medidas concertadas de prevenção e controlo das doenças transfronteiriças dos animais.

A iniciativa integra igualmente os esforços de cooperação regional com a África do Sul, tendo em conta o risco de propagação da febre aftosa através da circulação transfronteiriça de animais e do contacto entre efectivos domésticos e fauna bravia.

(AIM)

SNN/pc

 

Fonte: aimnews

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