Maputo, 10 Ago (AIM) – A promoção da saúde física e mental e a criação de condições para o bem-estar das populações devem constituir uma responsabilidade colectiva dos Estados-membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), defendeu hoje, em Marracuene, a Secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria Manso.
A governante falava no lançamento da Semana Comemorativa dos 46 anos da SADC, que decorre sob o lema “Promovendo a Saúde de Qualidade, Fortalecendo o Bem-estar das Comunidades da SADC”, numa cerimónia que juntou membros do Governo, diplomatas dos Estados-membros da organização, autoridades locais e outros convidados.
Segundo Maria Manso, a promoção de uma saúde de qualidade não deve limitar-se à prevenção de doenças, devendo igualmente criar condições para o bem-estar físico, mental e social das comunidades.
“A promoção de uma saúde de qualidade deve ultrapassar a prevenção da doença, devendo igualmente criar condições para o bem-estar físico, mental e social das comunidades”, afirmou.
Acrescentou que a saúde pública constitui uma responsabilidade que deve ser assumida de forma colectiva, envolvendo o Estado, as instituições, as famílias e as comunidades.
“A saúde pública constitui uma responsabilidade colectiva, envolvendo o Estado, instituições, famílias e comunidades”, sublinhou.
Maria Manso apontou a saúde como uma das prioridades do Governo, destacando o investimento em infra-estruturas e a valorização dos profissionais do sector.
A nível regional, referiu que a SADC tem desenvolvido acções em áreas como HIV/SIDA, saúde sexual e reprodutiva, prevenção da obesidade, formação de recursos humanos e reforço da cooperação entre os Estados-membros.
No quadro da integração regional, Maria Manso destacou o papel de Moçambique na implementação de iniciativas destinadas a responder aos desafios que afectam os países da África Austral.
A governante apontou, em particular, a existência, no país, de dois centros considerados importantes para a estratégia de integração regional.
Um deles é o Centro de Operações Humanitárias e de Emergências da SADC, sediado em Nacala, província de Nampula, criado para coordenar a preparação, resposta e recuperação rápida face a riscos de catástrofes na região.
“Gostaríamos de enaltecer o facto de Moçambique acolher dois centros importantes no âmbito da Estratégia de Integração Regional”, disse.
A governante destacou igualmente o Centro Regional de Coordenação de Monitorização, Controlo e Fiscalização da Pesca da SADC, recentemente inaugurado na Catembe, Município de Maputo.
A infra-estrutura visa reforçar a protecção dos oceanos, rios e lagos da região e combater a pesca ilegal, cujo prejuízo global anual é estimado em cerca de 25 biliões de meticais.
Segundo Maria Manso, a instalação destes centros em território nacional demonstra o compromisso de Moçambique com a agenda de integração regional e com a procura de respostas conjuntas para desafios que ultrapassam as fronteiras nacionais.
Por seu turno, o Secretário de Estado na província de Maputo, Henriques Bongece, destacou o contributo da província para a materialização da Agenda de Integração Regional, através do seu corredor logístico.
Bongece defendeu que a localização estratégica da província, associada à existência de infra-estruturas de transporte e zonas industriais, cria condições para que Maputo desempenhe um papel relevante no processo de industrialização regional.
“A nossa província dispõe de infra-estruturas, corredor de transportes, zonas industriais, factores que lhe conferem condição privilegiada para assumir um papel de liderança no processo de industrialização”, apontou.
O responsável considerou que estas condições podem contribuir para fortalecer a circulação de pessoas e mercadorias e aprofundar as relações económicas entre Moçambique e os restantes países da região.
Já o governador da província de Maputo, Manuel Tule, defendeu o reforço da cooperação entre os países da SADC no combate aos crimes transfronteiriços, incluindo a xenofobia, como condição para uma integração regional mais sólida.
Para Tule, a posição geográfica da província de Maputo, que faz fronteira com a África do Sul, coloca-a numa posição estratégica para dinamizar as relações económicas regionais.
“O facto de a província de Maputo partilhar fronteiras com a maior economia regional faz de nós o pulmão para impulsionar a economia, e um corredor vital para a dinamização do fluxo de pessoas e bens, tanto para o resto do país, assim como para os países de ‘hinterland’”, afirmou.
O governador sublinhou, por isso, a necessidade de os países da SADC permanecerem unidos na resposta aos desafios comuns, reforçando a cooperação e a solidariedade entre os povos da região.
A Semana Comemorativa dos 46 anos da SADC decorre de 10 a 17 de Agosto, em todas as províncias do país, com actividades destinadas a promover o conhecimento sobre a organização e o seu papel no processo de integração regional.
A SADC foi criada em 1992, sucedendo à Conferência de Coordenação para o Desenvolvimento da África Austral (SADCC), e conta actualmente com 16 Estados-membros.
As celebrações deste ano procuram colocar a saúde e o bem-estar no centro da agenda regional, num momento em que os países da África Austral continuam a enfrentar desafios comuns que exigem respostas coordenadas e solidárias.
(AIM)
Fernanda da Gama (FG)
Fonte: aimnews





