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Um surto extremamente raro de malária no Aeroporto de Frankfurt, na Alemanha, provocou a morte de dois trabalhadores e infetou outras quatro pessoas.
Nenhuma das vítimas tinha viajado recentemente para regiões onde a doença é endémica. A principal suspeita das autoridades é tão invulgar quanto preocupante: um ou mais mosquitos infetados terão chegado à Alemanha escondidos num avião.
O Departamento de Saúde de Frankfurt confirmou esta quinta-feira, 27 de agosto, que foram identificados seis casos de malária tropica entre pessoas que trabalham no Aeroporto de Frankfurt.
Dois dos infetados acabaram por morrer. Os restantes quatro estiveram hospitalizados, mas já receberam alta. Segundo as autoridades alemãs, cinco dos trabalhadores começaram a apresentar sintomas no início de julho, enquanto o sexto caso surgiu em meados de agosto.
Para já, as autoridades consideram que não existe um risco acrescido para a população em geral. A malária não é normalmente transmitida diretamente entre seres humanos. É necessário que um mosquito adequado transporte o parasita entre pessoas.
O episódio está a ser investigado pelo Departamento de Saúde de Frankfurt, em colaboração com a Fraport, empresa responsável pela gestão do aeroporto.
O aspeto mais intrigante é que as infeções não estão associadas a viagens recentes para países onde existe malária.
A explicação considerada mais provável é aquilo que os especialistas designam por "malária de aeroporto".
Um mosquito Anopheles infetado com o parasita Plasmodium pode entrar inadvertidamente num avião num país onde a malária é endémica. O inseto pode viajar na cabine, no porão de carga ou noutra área da aeronave e sobreviver até ao destino.
Depois de o avião aterrar, o mosquito pode sair da aeronave e picar trabalhadores do aeroporto ou pessoas nas imediações.
Foi precisamente este cenário que o (RKI), organismo alemão responsável pela prevenção e controlo de doenças infeciosas, apontou como explicação provável para os casos de Frankfurt.
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p id="caption-attachment-1137720" class="wp-caption-text">Não se sabe ainda se um único mosquito terá conseguido infetar várias pessoas ou se chegaram vários mosquitos infetados.
Os seis casos identificados estão associados à chamada malária tropica, provocada pelo parasita . Trata-se da forma mais perigosa da doença.
A transmissão ocorre através da picada de mosquitos Anopheles infetados. Depois de entrar no organismo humano, o parasita passa inicialmente pelo fígado e posteriormente invade os glóbulos vermelhos.
Entre os sintomas podem surgir:
Nos casos mais graves, a infeção pode evoluir rapidamente e provocar complicações potencialmente fatais.
O sublinha, contudo, que quando diagnosticada precocemente e tratada rapidamente, a malária tropica é geralmente tratável e pode ser completamente curada.
Existe um problema adicional quando a malária aparece num país onde praticamente não existe transmissão local da doença.
Um médico que recebe um paciente com febre, arrepios e dores musculares na Alemanha poderá inicialmente considerar doenças muito mais comuns, sobretudo quando o paciente afirma que não viajou para África, Ásia ou outra região onde existe malária.
A hipótese de malária pode, por isso, não ser considerada imediatamente. E esse atraso no diagnóstico pode ser particularmente perigoso no caso da .
As autoridades alemãs estão agora a alertar médicos e hospitais para que considerem a possibilidade de malária quando recebem pessoas com febre inexplicável que trabalhem no Aeroporto de Frankfurt ou nas suas proximidades.
A Fraport e as autoridades sanitárias iniciaram entretanto várias medidas de prevenção e investigação.
Foram instaladas armadilhas para mosquitos no Aeroporto de Frankfurt, tendo já sido capturados alguns exemplares. Estes insetos deverão ser analisados laboratorialmente para determinar a espécie e tentar perceber a sua possível origem.
Estão também em curso análises genéticas aos parasitas encontrados nos trabalhadores infetados.
O objetivo é perceber se os seis casos apresentam características genéticas semelhantes, o que poderá ajudar a determinar se tiveram uma origem comum.
Os funcionários do aeroporto receberam igualmente informação sobre os sintomas da doença e foram aconselhados a procurar assistência médica caso desenvolvam sinais compatíveis com malária.
Apesar da gravidade dos acontecimentos, as autoridades alemãs salientam que este fenómeno é muito raro. Frankfurt já tinha, contudo, registado episódios semelhantes.
Segundo o Departamento de Saúde da cidade, em 2022 foi identificado um grupo de três casos associados ao aeroporto. Em 2023 voltou a ser identificado outro caso de malária de aeroporto.
Uma investigação que reuniu casos europeus entre 1969 e 2024 encontrou 145 episódios de malária associados a aeroportos ou bagagens, nove dos quais na Alemanha.
O fenómeno demonstra como a enorme mobilidade proporcionada pela aviação comercial também pode transportar inadvertidamente organismos vivos entre continentes em poucas horas.
Fonte: Pplware






