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Muchanga e Carvalho trocam acusações

As divergências internas na Renamo continuam a subir de tom. O chefe nacional de mobilização do partido, Geraldo Carvalho, acusa António Muchanga de estar a contribuir para a destruição da organização e de agir em benefício de interesses externos. Em resposta, Muchanga desvaloriza as acusações e considera Carvalho “insignificante” e “irrelevante”.

Carvalho reagia aos pronunciamentos de Muchanga contra a liderança da Renamo, numa altura em que o antigo deputado exige mudanças na condução do partido e a realização de um congresso extraordinário.

Segundo Geraldo Carvalho, Muchanga estará a aproveitar-se das oportunidades que lhe foram dadas pela Renamo para promover uma agenda que, na sua leitura, acaba por beneficiar a Frelimo.

“Ele está a tentar aproveitar-se das oportunidades que foram dadas pela Renamo. Ele tem objectivos a atingir que só beneficiam a Frelimo.”

Carvalho considera ainda que Muchanga não tem legitimidade para decidir sobre quem deve ou não dirigir o partido, tendo classificado o antigo deputado como alguém que está a actuar contra a Renamo.

O chefe nacional de Mobilização minimiza as críticas de Muchanga e afirma que continuará a trabalhar nas bases do partido, incluindo nas províncias da Zambézia e Manica.

 

AMEAÇA DE RETALIAÇÃO

 

A questão do encerramento de delegações da Renamo também mereceu fortes críticas de Geraldo Carvalho. O dirigente deixou um aviso aos responsáveis pelas acções, afirmando que o partido poderá responder na mesma medida. “Quem vier com pau vai ser recebido com pau. Quem vier com respeito vai ser recebido com respeito.”

Carvalho rejeita aquilo que considera uma tentativa de alguns membros de agir à margem das estruturas do partido e questiona a legitimidade de grupos que dizem falar em nome dos desmobilizados.

Por sua vez, o porta-voz da Renamo, Marcial Macome, reconhece a existência de divergências internas, mas defende o respeito pela ordem institucional e pelos estatutos do partido.

Macome considera que a contestação à liderança não deve servir de fundamento para quebrar as regras internas, alertando para o risco de se criar um precedente que possa comprometer o funcionamento das instituições partidárias.

Sobre a exigência de um congresso extraordinário, Marcial Macome afirma que existem procedimentos estatutários para a convocação deste órgão e que os membros que conhecem as regras do partido devem segui-los. “Estatutariamente, existe um procedimento para se convocar o congresso.”

MUCHANGA RESPONDE

Reagindo às declarações de Geraldo Carvalho, António Muchanga desvaloriza o seu colega, considerando-o “insignificante” e “irrelevante”.

Muchanga recupera episódios da trajectória política de Carvalho, incluindo a sua passagem pelo MDM, e acusa-o de estar novamente a preparar uma saída da Renamo.

O antigo deputado vai mais longe e critica a forma como Carvalho tem conduzido a sua intervenção política, recorrendo a uma comparação para descrever a sua actuação.

Muchanga afirma ainda que Ossufo Momade é o principal responsável pelos problemas que enfrenta actualmente a Renamo, acusando o presidente do partido de não convocar reuniões estatutárias e de permitir práticas que, segundo afirma, prejudicam a organização.

O antigo deputado garante, por outro lado, que a sua intervenção política não visa proteger interesses individuais, mas defender aquilo que considera ser o interesse do povo e o futuro da Renamo.  As trocas de acusações entre os dois dirigentes expõem, assim, as profundas clivagens internas que marcam actualmente o principal partido da oposição em Moçambique, com a liderança de Ossufo Momade sob forte contestação de sectores descontentes.

Fonte: O País

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