Resumo
Cabo Verde fez história ao qualificar-se para a fase eliminatória do Mundial, enfrentando equipas como Espanha e Uruguai. Num jogo decisivo contra a Arábia Saudita, a equipa cabo-verdiana pressionou mas não conseguiu marcar, mantendo-se o empate a zero. Apesar da falta de golos, Cabo Verde assegurou a passagem à próxima fase como segundo classificado do grupo, num feito memorável que enche de orgulho o país.
RECORDE O FILME DO JOGO.
Parece história de cinema. Conto de fadas. Mas não, é mais uma das belas memórias que esta competição nos traz. O David – Cabo Verde – fez frente ao Golias, Espanha, na estreia.
Podia ser sorte, veríamos como corria no segundo jogo. Novo empate, desta vez com direito a golos, frente ao favorito Uruguai. Já não parecia tanta sorte.
Na verdade, sempre se viu em campo mais do que 11 homens a correr atrás de uma bola. Viu-se um povo inteiro – dez ilhas – a lutar junto por cada lance, cada corte. Via-se no brilho dos olhos. Este David vinha para desafiar os maiores – e tinha prazer em fazê-lo.
Eis que chega ao jogo decisivo. Frente a uma Arábia Saudita que também lutava pela qualificação, era a altura de ver se os tubarões azuis mereciam realmente nadar em oceanos mundiais.
Sentiu-se o nervosismo, diga-se de passagem. Pela primeira vez Cabo Verde tinha de assumir o jogo, frente a uma equipa saudita que se mostrou confortável em dar a bola ao adversário.
Por esse motivo – com ambas as equipas a terem medo de errar - a primeira parte teve pouco, ou nada, para contar. Poucas oportunidades, pouca emoção.
O ponto alto do jogo decorreu, na verdade, a quilómetros de distância. O golo de Espanha frente ao Uruguai classificava Cabo Verde em segundo lugar. Tinham, pelo menos, motivos para respirar.
No segundo tempo a história foi diferente. Os Tubarões continuaram a ditar o ritmo do jogo. Mas, diferente da primeira parte, a equipa de Bubista desta vez foi mais rematadora. Chegava com mais qualidade em zonas de finalização e ia visando a defesa saudita.
Os ânimos exaltaram-se quando, já para lá da hora de jogo, quase se gritou golo por antecipação. Num ataque rápido, uma dupla recém-entrada levou as mãos à cabeça até ao adepto mais calmo.
Nuno da Costa isolou Laros Duarte, que na cara de Al Owais não foi capaz de fazer o golo. Diga-se, com digna justiça, que o guardião saudita se agigantou para manter o nulo no encontro.
Cabo Verde continuou a pressionar até aos minutos finais. Houve, então, mais lances impróprios para cardíacos. Wagner Pina surgiu em ótima posição, mas acabou por atirar contra um defesa. Garry Rodrigues ainda tentou chegar à recarga, mas não foi capaz.
Pouco depois foi Nuno da Costa, na cara do golo, a atirar ao lado. Para sorte dos cabo-verdianos, a falta de eficácia saiu-lhes barato.
Houve, por isso, emoção até final – mesmo sem golos. O marcador manteve-se imóvel, mas os sonhos os cabo-verdianos, esses sim, mexem-se como nunca se mexeram antes.
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p lang="pt">O momento da confirmação do apuramento 😍🇨🇻#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #CaboVerde #ArábiaSaudita pic.twitter.com/CbPU11suvU
Não é para menos. Passaram a fase de grupos, como segundos, contra todas as probabilidades.
1 por cento de chances, 99 por cento de esperança – diziam os cabo-verdianos. Que ninguém os cale, tinham razão em acreditar. Espera-lhes a campeã do Mundo Argentina nos 16 avos.
É mais uma vez o David contra o Golias, mas porque não sonhar? Na verdade, não é um «David». É mesmo um turbarão azul, maroto, que teima em desafiar os Golias desta vida.
O homem que marcou o primeiro golo de sempre de Cabo Vede num Mundial. Desta vez saiu em branco, mas a sua exibição não se prende por aí. Foi o motor da equipa, o comandante do meio-campo. Surgiu em zona de perigo quando precisava, equilibrava e recuperava a posse de bola quando era necessário. Mais um jogo exemplar de Kevin Pina, um pilar da equipa de Bubista.
Foi a melhor oportunidade do encontro. Os tubarões azuis podiam ter saído com um sorriso ainda mais rasgado, se não fosse pela enorme defesa do guarda-redes saudita. Negou o golo a Laros Duarte de forma exímia, deixando as emoções à flor da pele até aos segundos finais.
Fonte: TVI






