O “Volta” já deu muito que falar, e vai muito provavelmente resultar em bastante dinheiro perdido. Mas os 10 cêntimos do teu bolso só cobrem o buraco daqui a 3 anos.
O sistema “Volta” só começou a funcionar em abril de 2026, mas tem feito correr imensa tinta. Afinal de contas, em três meses foram recolhidas mais ou menos 50 milhões de embalagens — o que significa cerca de 5 milhões de euros devolvidos. O problema é que, todos os meses, saem das prateleiras mais de 120 milhões de embalagens compatíveis com o sistema.
Fazendo as contas rapidamente: 120 milhões a multiplicar por três meses dá 360 milhões de embalagens no mercado. Descontando os 50 milhões devolvidos, ficam 310 milhões de embalagens por entregar. Ou seja, qualquer coisa como 31 milhões de euros que ficaram retidos. Coisa pouca, não é?
Mas queres saber a melhor? Esse dinheiro que fica “perdido” vai eventualmente para o Fundo Ambiental e para a manutenção da própria rede Volta. A questão é que o dinheiro só é oficialmente identificado como perdido passados 3 anos.

Os relatórios mostram que a SDR Portugal, a entidade gestora deste sistema, fechou o ano passado com um prejuízo brutal de 2,62 milhões de euros. E como é que se safaram? Pediram mais quatro milhões de euros emprestados aos seus próprios associados (os gigantes do retalho e das bebidas), elevando a dívida acumulada para uns astronómicos 6,47 milhões de euros.
A conversa resume-se a isto: os gigantes do mercado (Continente, Pingo Doce, Lidl, Auchan, Coca-Cola, Super Bock e companhia) adiantaram o dinheiro para cobrir o buraco, mas não o fizeram por caridade. Só em juros destes adiantamentos, já encaixaram mais de 66 mil euros.
Antes de o cidadão comum ter a oportunidade de meter a primeira garrafa de plástico numa máquina para reaver 10 cêntimos, a entidade já estava a atolar-se em dívidas para pagar os custos da candidatura e da infraestrutura. A própria associação admite que não tem capacidade para pagar esta conta tão cedo, tendo mesmo de recorrer a financiamento bancário no início deste ano para continuar a respirar.
Se pensas que o sistema se vai sustentar rapidamente com o dinheiro das garrafas que as pessoas não devolvem, podes perfeitamente tirar o cavalinho da chuva.
Fonte: Zero Zero






