Maputo, 23 Jul (AIM) – Os indicadores divulgados hoje pela Fundação para a Competitividade Empresarial (FUNDEC) revelam que o maior desafio de Moçambique continua a ser a criação de empregos de qualidade e o aumento da produtividade.
O cenário ocorre num contexto em que as empresas enfrentam dificuldades persistentes de acesso ao crédito, elevados custos financeiros e fraca confiança económica.
As constatações estão vertidas na primeira edição do FUNDEC Economic Outlook 2026, acompanhada da apresentação do Índice de Emprego e Produtividade (IEP) e da segunda edição do Rating Empresarial e Financeiro (REF).
A organização assegura que os indicadores são baseados em evidência para apoiar a formulação de políticas públicas e as decisões empresariais.
Na ocasião, o presidente da FUNDEC, Agostinho Vuma, afirmou que a iniciativa constitui uma plataforma permanente de reflexão económica destinada a acompanhar a evolução da competitividade nacional.
“Hoje não realizamos apenas um evento. Hoje lançamos uma plataforma nacional permanente de reflexão económica, concebida para acompanhar, interpretar e antecipar a evolução da economia moçambicana”, declarou.
Segundo Vuma, o IEP registou 28,01 pontos no primeiro trimestre de 2026, evidenciando que o maior desafio do país consiste em criar empregos de qualidade e elevar a produtividade. O REF, por sua vez, recuou para 38,62 pontos, reflectindo dificuldades persistentes das empresas no acesso ao crédito, elevados custos financeiros e fraca confiança económica.
“O verdadeiro desafio consiste em criar empregos de qualidade, empregos produtivos, empregos formais, capazes de gerar rendimento, inovação e esperança”, sublinhou.
Por seu turno, o administrador executivo do Banco Comercial e de Investimentos (BCI), Raul Almeida, considerou que o desenvolvimento económico depende da articulação entre empresas, banca e Estado.
“Temos presentes três dos principais pilares que permitem à economia evoluir: o sector empresarial, os bancos, como alavanca financeira, e o Estado, para garantir a coordenação e a implementação das políticas”, afirmou.
O ministro da Juventude e Desporto, Caifadine Manasse, considerou que os indicadores hoje apresentados constituem instrumentos relevantes para melhorar a formulação de políticas públicas e responder aos desafios do emprego jovem.
“As métricas que hoje se apresentam não são exercícios estatísticos. São instrumentos de planificação, de monitoria das reformas e ao serviço de políticas públicas mais eficazes e mais próximas da realidade dos cidadãos e das empresas”, afirmou.
Segundo o governante, mais de 450 mil jovens entram anualmente no mercado de trabalho, o que exige maior aposta na formação profissional, no empreendedorismo e na criação de oportunidades de emprego.
“Não haverá crescimento inclusivo sem oportunidades reais para a juventude. Não haverá estabilidade social duradoura sem jovens a trabalhar”, frisou.
Manasse desafiou ainda a FUNDEC a expandir estas reflexões para as províncias e distritos, defendendo uma maior aproximação entre os centros de produção de conhecimento e as comunidades.
(AIM)
NL/ES
Fonte: aimnews





