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Será que estamos a procurar inteligência extraterrestre da forma errada?

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Durante décadas, a procura por sinais de inteligência extraterrestre concentrou-se numa pequena faixa do espectro rádio, considerada a mais provável para uma civilização avançada comunicar. No entanto, uma nova investigação sugere que essa estratégia pode estar errada e que os cientistas poderão estar a “ouvir” na frequência errada.

Com tanta tecnologia, informação e agora com a IA, possivelmente vamos descobrir que estamos a fazer algo errado.

Aliás, a equipa, liderada por , da Universidade de Manchester, a procura para frequências muito mais elevadas, uma região praticamente inexplorada pelo programa SETI ().

Desde os primeiros projetos SETI, os astrónomos concentraram as suas pesquisas entre , uma faixa conhecida como “water hole”.

Esta escolha não foi aleatória. A frequência situa-se entre as emissões naturais do hidrogénio (H) e do hidroxilo (OH), dois elementos que formam a água. Como a água é considerada essencial para a vida tal como a conhecemos, os cientistas acreditaram que uma civilização inteligente poderia escolher esta região do espetro para transmitir mensagens.

Além disso, trata-se de uma zona extremamente silenciosa do ponto de vista do ruído cósmico, permitindo que um sinal artificial percorra enormes distâncias com menos interferências.

Louisa Mason considera que essa abordagem poderá estar a limitar as hipóteses de sucesso. A investigadora e a sua equipa analisaram dados já existentes do ALMA (), um dos mais poderosos radiotelescópios do mundo, localizado no deserto do Atacama, no Chile.

Foi a primeira vez que o ALMA foi utilizado especificamente numa procura por inteligência extraterrestre. Em vez das frequências tradicionais, os investigadores analisaram bandas milimétricas e submilimétricas do espetro rádio, procurando sinais extremamente estreitos e artificiais, conhecidos como tecnossinaturas (technosignatures), que dificilmente poderiam ser produzidos por fenómenos naturais.

Até ao momento, a investigação não identificou qualquer . Contudo, o estudo revelou uma descoberta inesperada: cada observação realizada por um radiotelescópio contém muito mais informação do que se pensava.

Sempre que um telescópio aponta para um alvo específico, acaba também por captar milhares ou mesmo milhões de outras estrelas presentes no mesmo campo de visão.

Para perceber quantas estrelas estavam realmente presentes nos dados analisados, a equipa utilizou o , considerado mais completo do que os dados da missão Gaia da Agência Espacial Europeia.

Os resultados surpreenderam os investigadores. Uma campanha SETI composta por 1.327 observações, que inicialmente se pensava abranger cerca de 288 mil estrelas, afinal incluía mais de 6,1 milhões de estrelas.

Isto significa que muitos dados recolhidos ao longo dos anos podem conter informação útil que nunca foi explorada na totalidade.

Segundo Louisa Mason, mesmo uma observação aparentemente pequena pode incluir uma enorme diversidade de estrelas que nunca foram alvo de estudo específico.

Os investigadores defendem que combinar observações em frequências mais elevadas com modelos detalhados da Via Láctea poderá aumentar significativamente as probabilidades de encontrar sinais artificiais.

Embora a nova abordagem ainda não tenha produzido resultados positivos, abre uma nova área de investigação para o SETI, explorando uma parte do espetro rádio que permaneceu praticamente ignorada durante décadas.

Se alguma civilização avançada optar por comunicar em frequências diferentes das que temos vindo a monitorizar, é possível que estejamos finalmente a começar a escutar no sítio certo.

 

Fonte: Pplware

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