InícioRevistaPolíticaNIGÉRIA EXIGE MEDIDAS DA ÁFRICA DO SUL CONTRA ATAQUES XENÓFOBOS

NIGÉRIA EXIGE MEDIDAS DA ÁFRICA DO SUL CONTRA ATAQUES XENÓFOBOS

Por: Alfredo Júnior

O Governo da Nigéria instou a África do Sul a adoptar medidas mais eficazes para travar os ataques xenófobos contra cidadãos nigerianos e outros migrantes africanos, alertando que a repetição destes episódios está a afectar negativamente as relações diplomáticas entre os dois países. O apelo foi feito durante um encontro realizado em Abuja entre representantes dos dois governos, numa altura em que cresce a preocupação com a escalada da violência contra estrangeiros em território sul-africano.

O ministro de Estado dos Negócios Estrangeiros da Nigéria, Sola Enikanolaiye, manifestou preocupação com aquilo que classificou como repetidos ataques "afrofóbicos", afirmando que não apenas migrantes em situação irregular, mas também cidadãos nigerianos residentes legalmente na África do Sul têm sido vítimas de agressões, intimidação e destruição de bens. O governante questionou ainda a eficácia da resposta das autoridades sul-africanas, defendendo que qualquer suspeita de actividade criminosa deve ser tratada pelas instituições competentes e não por grupos de vigilantes.

A delegação sul-africana, liderada pelo ministro das Relações Internacionais e Cooperação, Ronald Lamola, reiterou que o Governo sul-africano condena todas as formas de xenofobia, racismo e discriminação. Lamola assegurou que os responsáveis pelos ataques serão investigados e processados nos termos da lei, sublinhando que os actos de violência não representam a posição oficial do Estado sul-africano.

Os dois países comprometeram-se igualmente a reduzir o clima de tensão diplomática e a reforçar os mecanismos de cooperação para proteger cidadãos estrangeiros. Entre as medidas discutidas constam o reforço da presença policial em zonas consideradas de risco, a criação de sistemas de alerta precoce para prevenir ataques e a análise de mecanismos de compensação para migrantes afectados pela violência.

A nova vaga de violência levou o Governo nigeriano a organizar operações de repatriamento voluntário. Segundo dados oficiais, cerca de 1.490 cidadãos nigerianos já regressaram ao país em cinco operações coordenadas, enquanto Abuja reafirmou que continuará a recorrer aos canais diplomáticos para exigir melhores condições de segurança para os seus nacionais residentes na África do Sul.

Os ataques inserem-se num contexto de crescente tensão em torno da imigração na África do Sul, onde grupos de vigilantes e movimentos anti-imigração têm promovido protestos e acções contra estrangeiros, responsabilizando-os por problemas como o desemprego, a criminalidade e a pressão sobre os serviços públicos. Organizações de direitos humanos contestam essa narrativa, alertando para o aumento da violência e da estigmatização de migrantes africanos.

O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, reconheceu recentemente as preocupações da população relativamente à imigração irregular, mas advertiu que apenas as autoridades do Estado têm legitimidade para fazer cumprir a lei. O chefe de Estado condenou actos de xenofobia e afrofobia, apelando ao respeito pela Constituição e aos princípios de dignidade humana, ao mesmo tempo que anunciou o reforço das políticas de gestão migratória e do controlo das fronteiras.

A persistência dos ataques continua a preocupar vários governos africanos e organizações internacionais, que alertam para o risco de deterioração das relações entre países do continente e para os impactos sociais e económicos da violência contra migrantes. Para analistas, a resolução do problema dependerá não apenas do reforço da segurança, mas também de políticas capazes de enfrentar as causas estruturais da exclusão social, do desemprego e da desinformação que alimentam a hostilidade contra cidadãos estrangeiros.

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