InícioRevistaTecnologiaFaltam radares nas estradas Portuguesas?

Faltam radares nas estradas Portuguesas?

Nas últimas horas, estalou mais uma discussão acesa na internet por causa de um condutor chateado com o excesso de velocidade nas autoestradas, a exigir uma chuva de novos radares de velocidade instantânea e média de norte a sul do país. A premissa é simples, e até faz algum sentido. Hoje em dia, os carros modernos têm outra segurança e outros níveis de performance. Por isso, há quem vá a 160 ou 180 km/h a colar-se à traseira de quem vai a ultrapassar cumprindo os 120 km/h regulamentares.

Mas será que espalhar caixas de metal com câmaras por tudo quanto é canto resolve alguma coisa, ou estamos só a olhar para o lado errado?

Um radar fixo sinalizado serve para o condutor travar a fundo a 100 metros da câmara, passar à velocidade legal e acelerar logo a seguir. Os radares de velocidade média até ajudam em certos troços, mas não resolvem a falta de civismo nas nossas vias. Depois, os radares móveis escondidos servem para… caça à multa.

A única forma de controlar o português ao volante seria com radares de velocidade média em todos os percursos possíveis e imaginários. Aliás, já houve quem pusesse a sugestão de radares de velocidade média nos pórticos das autoestradas, o que seria uma ideia que muito provavelmente travaria muitos excessos. Mas isso nunca andou para a frente.

Além disso, o verdadeiro perigo nem é só e apenas a velocidade. Aliás, condutores aborrecidos com velocidades limitadas vão fazer ainda mais aquilo que já é comum nos dias que correm: olhar para o smartphone.

Utilizacao do smartphone ao volante

Há quem diga que o verdadeiro perigo nas estradas portuguesas hoje em dia tem um ecrã tátil e chama-se smartphone. É assustadora a quantidade de condutores que anda a 90 ou 100 km/h na faixa do meio, completamente alheados do mundo, a fazer scroll no Instagram, a responder a mensagens no WhatsApp ou a ver vídeos no TikTok. Um acelerador a 150 km/h com a atenção na estrada pode ser um risco, mas um condutor a olhar para o colo durante cinco segundos a 100 km/h é um míssil desgovernado.

A aplicação da lei em Portugal foca-se quase sempre no que dá menos trabalho e gera receita rápida: a velocidade pura e dura apanhada por máquinas. Só que a fiscalização real, aquela que apanha quem não tem qualquer respeito por nada, continua praticamente invisível.

Enquanto a polícia não estiver na estrada com patrulhas e carros descaracterizados a punir as manobras perigosas e a distração ao telemóvel, podes encher o país de radares que a selva vai continuar exatamente igual. O problema não é a tecnologia de medição: é a falta de noção de quem vai ao volante.

 

Fonte: Zero Zero

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