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ONU: crescem perigos na Ucrânia mais de quatro anos após agressão da Rússia

Resumo

O Escritório de Direitos Humanos da ONU alertou para o aumento dos perigos e riscos enfrentados pelos civis quatro anos após a invasão russa à Ucrânia, destacando a preocupação com os ataques de drones. Dados revelam um aumento alarmante no número de vítimas civis, com 580 mortos e 3.000 feridos em 2025, e 107 mortos e 430 feridos nos primeiros dois meses deste ano. Os drones de curto alcance são responsáveis pela maioria dos ataques, afetando tanto áreas controladas pelo governo ucraniano como territórios ocupados pela Rússia. Além disso, os ataques à infraestrutura energética intensificaram-se no inverno, levando a cortes de energia de até 22 horas por dia, afetando centenas de milhares de ucranianos, especialmente crianças, que enfrentam privações severas. A situação dos prisioneiros de guerra ucranianos também é motivo de preocupação, com relatos de maus-tratos contínuos por parte da Rússia.

O Escritório de Direitos Humanos da ONU alertou para o crescimento de perigos e riscos para os civis após quatro anos da invasão da Rússia à Ucrânia.

Em apresentação ao Conselho de Direitos Humanos, a vice-alta-comissária da ONU disse que existe uma preocupação constante particularmente devido aos drones de ataque.

Dobro da taxa de vítimas

Nada Al-Nashif contou que "durante os primeiros dois meses deste ano, 60% de todas as vítimas civis estavam nas regiões da linha de frente e quase metade dos mortos eram idosos".

A vice-alta-comissária afirmou ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que a principal causa de mortes e ferimentos foram "ataques envolvendo drones de curto alcance", tanto nas áreas controladas pelo governo ucraniano quanto no território ocupado pela Rússia.

Dados mostram que, em 2025, pelo menos 580 civis foram mortos e 3.000 ficaram feridos em tais ataques. Mas, apenas nos primeiros dois meses deste ano, 107 civis foram mortos e 430 ficaram feridos, representando quase o dobro da taxa de vítimas.

Linha de frente

Nada menos que 95% das vítimas foram causadas por drones de curto alcance visando o território controlado pelo governo.

O perigo é onipresente também nas áreas da linha de frente ocupadas pela Rússia, incluindo o distrito de Oleshky, na região de Kherson, onde os moradores descrevem "ataques frequentes de drones".

A vice-chefe para Direitos Humanos da ONU contou que "juntamente com as minas terrestres ao longo das estradas... a evacuação (é) extremamente difícil e perigosa, deixando muitas pessoas presas perto da linha de frente", descrevendo a escassez de alimentos e outras necessidades humanitárias críticas.

Uma mulher abraça uma menina perto de um prédio residencial atingido por mísseis em Kiev, na Ucrânia
Unicef/Oleksii Filippov

Uma mulher abraça uma menina perto de um prédio residencial atingido por mísseis em Kiev, na Ucrânia

Inverno e energia

Voltando-se para os ataques das forças russas à infraestrutura energética da Ucrânia, Al Nashif observou que as ofensivas se intensificaram neste inverno, "incluindo ataques a sistemas que aquecem edifícios residenciais, causando graves privações aos civis".

Hoje, a Ucrânia perdeu mais da metade de sua capacidade de gerar eletricidade, causando cortes de energia em todo o país "de até 22 horas por dia em algumas áreas". Centenas de milhares de ucranianos estão sem aquecimento em temperaturas de 15 graus negativos.

Por isso, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, ressaltou que os jovens enfrentaram “o inverno mais rigoroso” da guerra até o momento, causado por ataques à infraestrutura de energia e água que interromperam o fornecimento de eletricidade, aquecimento, água e saneamento em meio a temperaturas congelantes.

A situação dos capturados

O Unicef acredita que as crianças perderam cerca de 79% a 88% do tempo efetivo de aprendizado entre meados de janeiro e meados de fevereiro”. A ONU destacou preocupações de longa data sobre os maus-tratos “generalizados” e contínuos infligidos pela Rússia aos soldados capturados.

“Mais de 96% dos prisioneiros de guerra ucranianos que entrevistamos relataram ter sido submetidos a tortura e maus-tratos durante seu cativeiro”, desde a invasão em grande escala da Rússia em fevereiro de 2022.

Em um apelo à Rússia “para que ponha fim a esta guerra”, a alta funcionária de direitos humanos da ONU também instou Moscou a “interromper as execuções extrajudiciais, a tortura, os maus-tratos e outras violações contra prisioneiros de guerra e detentos civis... Em suma, a cumprir integralmente suas obrigações sob o direito internacional”.

Al-Nashif também apelou à Ucrânia “para que proteja os prisioneiros de guerra contra tortura e maus-tratos” e ponha fim à discriminação contra pessoas que, muitas vezes, não têm outra escolha senão deixar os territórios ocupados pela Rússia.

Bombeiros combatem um incêndio em um prédio que abriga um jardim de infância em Kharkiv, Ucrânia
Ocha/Iryna Chernysh

Bombeiros combatem um incêndio em um prédio que abriga um jardim de infância em Kharkiv, Ucrânia

Direito de resposta

Respondendo a esses comentários, o Representante Permanente da Ucrânia junto à ONU em Genebra, Yevhenii Tsymbaliuk, ressaltou o impacto generalizado da guerra no deslocamento de milhares de civis em Donetsk, Luhansk, Kherson, Zaporizhzhia e Crimeia — “uma estratégia deliberada da Rússia para aterrorizar os civis, reprimir a dissidência e punir aqueles que se recusam a abandonar suas casas ou a acatar as políticas ilegais da Rússia”.

Rejeitando a atualização, a delegação russa instou-a a “parar de apoiar o regime de Kiev”, alegando uma “guerra contra dissidentes, blogueiros, jornalistas e inimigos de Zelensky.”

Fonte: ONU

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