Resumo
O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para a gravidade do conflito no Oriente Médio, destacando a necessidade de soluções diplomáticas e respeito ao direito internacional para evitar um desastre ainda maior. Guterres mencionou a situação fora de controle da guerra, com o fechamento do Estreito de Ormuz a estrangular a circulação de recursos essenciais. Ele apelou ao fim das hostilidades e nomeou Jean Arnault como enviado pessoal para lidar com o conflito. Guterres pediu o cessar dos ataques do Hezbollah a Israel e das operações militares israelitas no Líbano, alertando para as consequências devastadoras da escalada do conflito para os mais vulneráveis.
O líder da ONU recordou a jornalistas, em Nova Iorque, que algumas horas após começar a guerra, ele alertou que os combates corriam o risco de desencadear uma reação em cadeia que ninguém seria capaz de controlar.
Guerra fora de controle
Mais de três semanas depois, Guterres disse que a guerra está fora de controle e ultrapassou limites que até mesmo os líderes consideravam inimagináveis.
O líder das Nações Unidas caracterizou uma realidade em que o mundo encara a ameaça iminente de uma guerra mais ampla, uma maré crescente de sofrimento humano e um choque econômico ainda mais profundo.
Para ele, em toda a região e em lugares mais distantes, “civis estão sofrendo graves danos e vivendo sob profunda insegurança”.
Ele considera que o fechamento do Estreito de Ormuz “estrangula a circulação de petróleo, gás e fertilizantes em momento crítico da época global de plantio”.
Consequências da guerra
Guterres descreveu o que considera uma situação que foi longe demais, defendendo o momento de se parar de subir a escada da escalada e começar a subir a escada diplomática, retornando ao pleno respeito pelo direito internacional.
O secretário-geral declarou ainda que as Nações Unidas estão profundamente empenhadas em tentar minimizar as consequências da guerra, tendo feito um chamado a todas as partes envolvidas para pôr fim à guerra.
O chefe da ONU nomeou o francês Jean Arnault, que atuou em diversas missões das Nações Unidas ao redor do mundo, como seu enviado pessoal para liderar os esforços da organização em relação ao conflito e suas consequências.
Em suas declarações, o secretário revelou que, ao mesmo tempo, tem mantido um contato estreito com muitas pessoas da região e de todo o mundo onde várias iniciativas de diálogo e paz que devem ser bem-sucedidas.
Interrupção das operações militares
Ele disse que viveu em primeira mão o cenário da guerra na recente visita ao Líbano.
Dirigindo-se ao grupo Hezbollah, ele pediu o fim do lançamento de ataques contra Israel. Já às autoridades de Tel Aviv solicitou a interrupção das operações militares e dos ataques ao Líbano, que atingem os civis com maior severidade.
Para Guterres, o modelo de Gaza não deve ser replicado no vizinho Líbano.
De todo o mundo, António Guterres mencionou mercados em turbulência, operações humanitárias limitadas e ondas de choque observadas em todas as frentes.
O secretário-geral lembrou que tais efeitos recaem com maior peso sobre aqueles que não têm qualquer responsabilidade pelo conflito como os mais pobres, os mais vulneráveis e com menor capacidade de absorver mais um golpe.
Fonte: ONU






