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Ouro Recua Com Dólar Mais Forte, Mas Tensões No Médio Oriente Mantêm Perspectivas De Alta

Resumo

O mercado internacional do ouro começou junho com prudência, devido às tensões no Médio Oriente. O metal amarelo teve uma ligeira queda devido ao dólar forte e ao petróleo em alta, sendo negociado a 4.518,09 dólares por onça no mercado à vista e a 4.548,90 dólares nos contratos futuros para agosto. A subida do petróleo em mais de 2% trouxe preocupações sobre a inflação global, afetando a relação entre o ouro e os preços energéticos. A atenção dos investidores está centrada na decisão de Donald Trump sobre o acordo com o Irão, enquanto a escalada militar na região mantém o risco geopolítico elevado, com Israel a avançar contra o Hezbollah no Líbano. Esta instabilidade mantém a procura por ativos seguros como o ouro.

Questões-Chave

O mercado internacional do ouro iniciou o mês de Junho sob o signo da prudência, com os investidores a acompanharem atentamente a evolução das tensões geopolíticas no Médio Oriente e as implicações destas para os mercados energéticos, cambiais e financeiros globais.

O metal amarelo registou uma ligeira correcção na sessão desta segunda-feira, depois de ter alcançado máximos de duas semanas na sessão anterior. O movimento foi influenciado sobretudo pelo fortalecimento do dólar norte-americano e pela recuperação dos preços do petróleo, factores que reduziram temporariamente a atractividade do activo de refúgio.

O ouro à vista recuou 0,4%, para 4.518,09 dólares por onça, enquanto os contratos futuros para entrega em Agosto registaram uma queda de 1%, para 4.548,90 dólares por onça. A valorização da moeda norte-americana tornou o ouro mais caro para investidores detentores de outras divisas, limitando a procura internacional pelo activo.

Petróleo Volta A Influenciar O Sentimento Dos Investidores

A subida superior a 2% dos preços do petróleo nas primeiras horas de negociação trouxe novamente para o centro do debate as preocupações relacionadas com a inflação global.

A relação entre o ouro e os preços energéticos continua a ser complexa. Por um lado, o metal é tradicionalmente considerado uma cobertura contra a inflação. Por outro, quando a subida dos preços energéticos alimenta expectativas de manutenção ou agravamento das taxas de juro, o ouro tende a perder competitividade face a activos que geram rendimento.

Este equilíbrio delicado está particularmente evidente na actual conjuntura, marcada por sinais contraditórios provenientes da política monetária norte-americana e pela incerteza em torno da evolução dos conflitos no Médio Oriente.

Trump E O Irão No Centro Das Atenções

Grande parte da atenção dos mercados está concentrada na decisão iminente do Presidente norte-americano, Donald Trump, relativamente à proposta de extensão da actual trégua entre Washington e Teerão.

Embora o cessar-fogo tenha contribuído para reduzir os riscos imediatos de uma escalada militar directa, persistem divergências significativas entre as partes em matérias consideradas centrais para a estabilidade da região.

A expectativa em torno da posição final da Casa Branca está a condicionar o comportamento dos investidores, que procuram avaliar o potencial impacto de um eventual fracasso das negociações sobre os mercados petrolíferos e financeiros.

Escalada Militar Mantém Elevado O Risco Geopolítico

Ao mesmo tempo, o contexto regional continua marcado por elevados níveis de tensão.

O Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu, ordenou o avanço adicional das tropas israelitas para território libanês no âmbito das operações contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irão, apesar do cessar-fogo anunciado há várias semanas.

A manutenção destas frentes de conflito contribui para sustentar a procura estrutural por activos considerados seguros, como o ouro, os títulos do Tesouro norte-americano e determinadas moedas de refúgio.

Reserva Federal Continua Vigilante Face À Inflação

Outro elemento relevante para a trajectória do ouro prende-se com a política monetária dos Estados Unidos.

A vice-presidente da Reserva Federal para Supervisão, Michelle Bowman, alertou recentemente que os impactos económicos da guerra no Médio Oriente ainda estão a ser avaliados, mas poderão traduzir-se em pressões inflacionistas persistentes.

Caso esse cenário se materialize, o banco central norte-americano poderá ser forçado a manter uma postura monetária mais restritiva durante mais tempo, limitando o potencial de valorização do ouro no curto prazo.

Perspectiva Continua Positiva Até 2026

Apesar das oscilações de curto prazo, os analistas mantêm uma visão amplamente favorável para o mercado do ouro.

Segundo Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade, o metal precioso poderá atingir os 5.500 dólares por onça até ao final de 2026 caso se verifiquem condições favoráveis, nomeadamente uma depreciação do dólar, preços energéticos mais moderados e a continuidade das compras por parte dos bancos centrais.

O especialista sublinha ainda que o papel do ouro como instrumento de protecção contra riscos geopolíticos e inflacionários continua a reforçar a sua atractividade estratégica junto de investidores institucionais e bancos centrais em diversas regiões do mundo.

Além do ouro, os restantes metais preciosos registaram ganhos moderados. A prata avançou 0,4%, para 75,58 dólares por onça, enquanto a platina valorizou 1,1%, para 1.937,30 dólares, e o paládio subiu 1,2%, para 1.370,50 dólares por onça.

Fonte: O Económico

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