Resumo
Portugal foi um dos países europeus com maior processamento de cocaína em 2024, com quatro laboratórios desmantelados e 23 toneladas apreendidas, a sexta maior quantidade na UE. O relatório da Agência da UE sobre Drogas destaca um aumento de instalações para produção e tráfico de cocaína na Europa, com métodos inovadores a serem utilizados. Espanha, França e Bélgica lideraram as apreensões, com Portugal a registar 23 toneladas confiscadas. A cocaína foi a segunda droga mais consumida na UE, responsável por 1.133 mortes por overdose em 2024. A produção de cocaína na América do Sul atingiu níveis recordes, com um aumento do consumo em cidades europeias. Apesar de mais apreensões em 2024, a quantidade total apreendida diminuiu, indicando mudanças nos métodos de tráfico.
Os dados constam do relatório de 2026 da Agência da UE sobre Drogas (EUDA, na sigla em inglês) divulgado esta terça-feira e que alerta para a deteção de um maior número de instalações para a produção, extração, diluição e embalagem de cocaína nos últimos anos, o que indicia que são utilizados métodos inovadores para o tráfico para a Europa.
“Grandes quantidades de cloridrato de cocaína são processadas na Europa, principalmente na Bélgica, Países Baixos, Espanha e Portugal, a partir de produtos intermédios”, como a pasta de cocaína, avança o documento.
Segundo a EUDA, em 2024 seis países europeus reportaram o desmantelamento de 42 locais relacionados com a produção de cocaína, mais oito do que no ano anterior, 24 dos quais nos Países Baixos, sete na Alemanha, quatro em Portugal, quatro na Bélgica, dois na Itália e um na Alemanha.
O relatório indica ainda que em 2024 registaram-se na UE cerca de 97.000 apreensões de cocaína, num total de 330 toneladas, quantidade que baixou em relação às 419 toneladas de 2023.
Em conjunto, Espanha (124 toneladas), França (53,5) e Bélgica (44,6) representaram 67% da quantidade total apreendida, salienta a EUDA, adiantando que foram também reportadas quantidades significativas pelos Países Baixos (37,6), Alemanha (23,8), Portugal (23), Itália (11), Irlanda (3,3) e Turquia (2,5).
Entre os 20 países da UE que forneceram dados, a cocaína, a segunda droga ilícita mais consumida depois da canábis, foi responsável por 1.133 mortes por ‘overdose’ (27%) em 2024 e 1.053 mortes (26%) em 2023.
Em 2024, a cocaína esteve “envolvida na maioria das mortes por ‘overdose’ em Espanha, Chipre, Luxemburgo, Malta e Portugal”, adianta ainda o relatório que apresenta as tendências e a evolução da droga na Europa.
Os dados revelam que o consumo de cocaína continua elevado em toda a Europa, tendo cerca de 4,3 milhões de adultos europeus com idades entre os 15 e os 64 anos consumido esta droga no último ano.
“Globalmente, a produção de cocaína na América do Sul está no seu nível mais elevado de sempre e os dados de águas residuais confirmam que a sua utilização continua a aumentar em muitas cidades europeias”, avisa a agência, que reconhece que os dados sobre as apreensões estão agora mais complexos.
Segundo o relatório, em 2024, os Estados-membros da UE reportaram mais apreensões de cocaína, mas uma menor quantidade total apreendida, embora o total permaneça superior ao de 2022.
“Apesar de não ser possível tirar conclusões definitivas nesta fase, os dados sugerem que, no meio de um período de maior atividade policial e alfandegária, houve uma mudança para remessas mais pequenas ou mais fragmentadas e rotas e métodos de tráfico mais variados”, explica a EUDA.
Fonte: TVI






