Resumo
O PS instou o ministro da Educação a tranquilizar estudantes e famílias após polémicas nos exames nacionais, pedindo garantias imediatas. O deputado Porfírio Silva destacou a preocupação de famílias devido a incidentes reportados. O PS prefere aguardar pela audição parlamentar do ministro em 1 de julho para escrutinar o processo, mas exige pronunciamento prévio. A controvérsia começou com semelhanças entre um exame de Português e um manual da Leya de 2025, suscitando preocupações de equidade. Um parecer do EduQA defendeu a validade da pergunta, mas o Público revelou que foi redigido sem o aval dos conselheiros científicos. Além disso, problemas na classificação digital dos exames têm causado atrasos, levando a ajustes no calendário de correção.
Em declarações à Lusa, o deputado socialistas Porfírio Silva sublinhou que o país está num período de exames em que “dezenas de milhares de famílias estão preocupadas com a sucessão de notícias que têm vindo a público sobre incidentes vários no processo de exames nacionais”.
O socialista disse que o Grupo Parlamentar do PS não quer, para já, “entrar no escrutínio” político do processo, remetendo essa avaliação para uma audição do ministro da Educação no parlamento, prevista para o dia 01 de julho, mas pediu a Fernando Alexandre que se pronuncie antes disso.
“O senhor ministro da Educação não pode perder nem mais uma hora para dar uma palavra de tranquilidade aos estudantes e às famílias sobre o processo dos exames de ensino secundário, que como sabemos implicam diretamente com o acesso ao ensino superior”, afirmou.
Porfírio Silva acrescentou que esta é uma fase da vida dos estudantes e das famílias em que “já há muita pressão” e “muita ansiedade”, sendo por isso necessário que o Governo transmita “uma palavra de tranquilidade sustentada e de garantia” de que o processo vai decorrer “sem mais perturbações e será concluído em devidas condições”.
O deputado socialista referiu ainda que o PS tem recebido mensagens “de todo o país” de pessoas preocupadas com o processo dos exames nacionais.
Questionado sobre que garantias concretas devem ser dadas, Porfírio Silva remeteu para o escrutínio na audição parlamentar da próxima semana do ministro, referindo também que não se sabe ainda “exatamente o que é que está a acontecer”, mas que há “muitos indicadores de que há várias coisas que não estão a correr como deviam”.
No início da polémica está o item de desenvolvimento no exame nacional do ensino secundário de Português que era igual ao de um manual publicado pela Leya em agosto de 2025 e que levou vários professores a alertar para o perigo de a situação poder favorecer os alunos que tiveram acesso ao manual.
Em 19 de junho, foi divulgado um parecer assinado pela presidente do Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA), Ana Cristina Cortesão Casimiro, que rejeita que essa pergunta tenha violado o princípio da equidade ou beneficiado os alunos que já a tinham treinado.
No entanto, o jornal Público noticia hoje que esse parecer, disponibilizado pelo Ministério da Educação, foi redigido à revelia dos conselheiros científicos do EduQA.
A somar a esta questão, a nova classificação digital dos exames tem registado constrangimentos, com professores a relatarem atrasos na distribuição das credenciais de acesso às provas, o que levou o Júri Nacional de Exames a ajustar o calendário para a correção.
Fonte: TVI




