Chimoio (Moçambique), 22 Ago (AIM) – Participantes da XI Conferência Nacional de Quadros do partido Frelimo, que decorre desde sexta-feira (21), na cidade de Chimoio, província de Manica, centro de Moçambique, defendem o reforço do combate à corrupção e ao terrorismo, apontados como alguns dos principais obstáculos ao desenvolvimento do país.
A preocupação tem sido reiteradamente levantada pelos conferencistas, que defendem o aprofundamento da agenda política da Frelimo no combate à corrupção e ao extremismo violento, que desde 2017 assola a província nortenha de Cabo Delgado.
O porta-voz da XI Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, Pedro Guiliche, disse que os participantes consideram a corrupção um dos factores que comprometem o desenvolvimento económico e social de Moçambique.
Segundo Guiliche, os quadros do partido entendem que a corrupção permite que pequenos grupos se apropriem de recursos públicos que deveriam beneficiar a maioria da população, nomeadamente através de investimentos nos sectores da educação, saúde e infra-estruturas.
“Esta componente de infra-estruturas é igualmente adicional aos temas que se levaram à conferência, embora já esteja prevista no Programa Quinquenal do Governo. Os conferencistas querem que seja mais aprofundada a questão do tipo de infra-estruturas públicas resilientes que o país deverá continuar a apostar e a construir”, referiu Pedro Guiliche.
O porta-voz afirmou que é do conhecimento geral que Moçambique tem sido sistematicamente afectado pelos efeitos das mudanças climáticas e por outros fenómenos naturais adversos.
“Por sermos vítimas dos efeitos desses fenómenos naturais, achamos que esta preocupação é legítima e está em cima da mesa dos debates”, acrescentou.
Terrorismo exige vigilância permanente
Guiliche avançou que outra questão no centro das atenções dos quadros da Frelimo é o reforço dos mecanismos estratégicos de combate ao terrorismo em Cabo Delgado.
Segundo o porta-voz, embora as acções terroristas estejam actualmente contidas e controladas, é necessário manter e reforçar a vigilância, bem como os mecanismos de controlo e prevenção nas comunidades.
“Outro ponto tem a ver com a agricultura. Os participantes sabem que o nosso país tem todas as condições e o potencial necessário para nos tornarmos um exemplo de soberania alimentar ao nível da região austral de África, o que significa a capacidade de produzir e consumir aquilo que temos no nosso país”, afirmou.
A soberania alimentar, acrescentou, constitui uma das prioridades que devem continuar a merecer atenção no quadro das estratégias de desenvolvimento defendidas pela Frelimo.
Recursos minerais e desenvolvimento das comunidades
Os recursos minerais constituem igualmente uma das matérias em debate na reunião dos quadros do partido no poder.
Guiliche disse que os participantes reconhecem que os recursos minerais vêm sendo explorados há vários anos, mas consideram que os benefícios dessa exploração ainda não se reflectem de forma satisfatória no desenvolvimento das comunidades onde os projectos estão implantados.
“O desafio e a visão são de que esses mesmos recursos devem ser transformados ao nível do nosso país. Isso vai permitir que tenhamos mais emprego, maior apropriação das comunidades em relação aos projectos de investimento que são trazidos e a partilha de prosperidades e ganhos. Os recursos estão exactamente ao nível dessas mesmas comunidades”, referiu.
O porta-voz sublinhou que é através da melhor valorização e aproveitamento dos recursos nacionais que o Governo poderá continuar a melhorar e a prover serviços básicos à população.
Debates entram na fase de aprofundamento
No segundo dia dos trabalhos, os grupos temáticos criados no primeiro dia da conferência deverão aprofundar os assuntos em debate.
Dos trabalhos em grupo deverão sair sínteses e propostas que serão posteriormente levadas à plenária, onde serão apresentadas as principais contribuições dos participantes, sem qualquer tipo de discriminação.
A XI Reunião Nacional de Quadros da Frelimo, com duração de três dias, termina amanhã (23) e reúne mais de três mil membros e convidados.
AIM/Redacção
Fonte: aimnews







