Maputo, 7 Jul (AIM) – O Governo moçambicano pretende promover o reenquadramento profissional de cidadãos nacionais repatriados da África do Sul, na sequência dos recentes actos de xenofobia naquele país, através de oportunidades de emprego em Portugal e nos Emirados Árabes Unidos (EAU).
A informação foi avançada esta terça-feira pelo porta-voz da XIX sessão ordinária do Conselho de Ministros, Inocêncio Impissa, que explicou que o Executivo está a trabalhar com o Instituto de Formação Profissional e Estudos Laborais Alberto Cassimo (IFPELAC), para certificar profissionalmente 1.363 cidadãos moçambicanos repatriados.
Segundo Impissa, a iniciativa enquadra-se nos memorandos de cooperação laboral existentes entre Moçambique, Portugal e os Emirados Árabes Unidos.
“O Governo apreciou a situação dos cidadãos afectados pelos actos de xenofobia e pelas manifestações anti-imigrantes registadas na República da África do Sul desde 30 de Junho de 2026, que se intensificaram em várias províncias daquele país”, afirmou.
De acordo com o porta-voz, os incidentes caracterizaram-se por ataques a residências, incêndios, saques, agressões físicas, intimidações e expulsão forçada de cidadãos estrangeiros das comunidades onde viviam.
Acrescentou que a violência tem sido mais intensa nas províncias de Gauteng, KwaZulu-Natal, Mpumalanga e North West.
Dos 1.363 cidadãos repatriados, 809 declararam possuir uma profissão. Entre estes, predominam pedreiros (363), artesãos (102) e empregados domésticos (77), além de pintores, electricistas, carpinteiros e canalizadores.
Impissa reiterou que o Governo está a desenvolver mecanismos para facilitar o reenquadramento profissional destes cidadãos no estrangeiro, ao abrigo dos acordos de cooperação laboral com Portugal e os Emirados Árabes Unidos.
Entretanto, o porta-voz revelou que se regista um aumento significativo do número de cidadãos malawianos em trânsito por Moçambique, na sequência da mesma vaga de violência na África do Sul.
Segundo explicou, estes cidadãos entram no País através das fronteiras de Ressano Garcia e da Ponta do Ouro, concentrando-se no Terminal Internacional e Interprovincial da Junta, em Maputo, antes de seguirem para o Malawi.
Desde Junho, cerca de 6.156 cidadãos malawianos foram transportados para a fronteira de Zóbwè, na província de Tete, dos quais 771 nos últimos dias, com apoio do Governo moçambicano.
“No âmbito desta assistência, a Primeira-Dama da República, Gueta Chapo, o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e outras instituições prestaram apoio aos cidadãos malawianos, disponibilizando refeições e outros bens essenciais durante a sua permanência em Moçambique”, disse.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação continua a trabalhar em coordenação com a Embaixada da República do Malawi em Moçambique para assegurar o transporte e a assistência aos cidadãos malawianos em trânsito pelo território nacional.
(AIM)
MR/pc
Fonte: aimnews





