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Excedente Global de Petróleo Marca 2026, Enquanto Produtos Refinados Mantêm Pressão Sobre Preços

IEA aponta oferta muito acima da procura, stocks em máximos de quatro anos e margens de refinação em níveis historicamente elevados

O mercado petrolífero internacional entra em 2026 sob o signo de um excedente estrutural persistente de crude, contrastando com uma escassez inesperada de produtos refinados. De acordo com o mais recente Oil Market Report da IEA, esta dissonância entre oferta abundante e capacidade limitada de refinação continua a moldar preços, margens e equilíbrios regionais, num contexto de sanções, ajustamentos geopolíticos e transição energética gradual.

Procura cresce, mas muda de natureza

A procura global de petróleo deverá aumentar 860 mil barris por dia em 2026, após um crescimento estimado de 830 mil barris/dia em 2025. O dado mais relevante não é apenas o ritmo, mas a sua composição. Em 2026, os petroquímicos passam a representar mais de 60% do crescimento da procura, contra cerca de 40% em 2025, sinalizando uma mudança estrutural. O consumo de combustíveis tradicionais perde peso, à medida que gás natural e energia solar substituem o petróleo na geração eléctrica, sobretudo no Médio Oriente.

Oferta mantém trajectória excedentária

Do lado da oferta, o quadro continua claramente desequilibrado. A produção global caiu 610 mil barris/dia em Novembro, acumulando uma redução de 1,5 milhões de barris/dia face ao máximo histórico de Setembro. A OPEC+ respondeu por cerca de 80% dessa queda, com destaque para a Rússia e a Venezuela, afectadas por sanções. Ainda assim, a trajectória de médio prazo mantém-se firme: a oferta mundial deverá crescer 3 milhões de barris/dia em 2025 e mais 2,4 milhões de barris/dia em 2026, atingindo 108,6 milhões de barris/dia, muito acima do crescimento da procura.

Rússia sob pressão, Irão acumula crude em trânsito

A Rússia emerge como um dos principais focos de fragilidade. As exportações de crude caíram cerca de 420 mil barris/dia em Novembro, reduzindo as receitas para 11 mil milhões de dólares, menos 3,6 mil milhões do que no mesmo período do ano anterior. O crude Urals afundou para 43,52 dólares por barril, o nível mais baixo desde Fevereiro de 2022. Em sentido oposto, o Irão mantém exportações próximas de 1,9 milhões de barris/dia, mas enfrenta constrangimentos logísticos crescentes, com 40 milhões de barris acumulados em trânsito, após refinadores independentes chineses suspenderem compras devido ao esgotamento de quotas.

Stocks em máximos de quatro anos revelam excesso estrutural

O excesso de oferta traduz-se numa acumulação expressiva de stocks globais, que atingiram 8.030 milhões de barris em Outubro, máximos de quatro anos. Entre Janeiro e Novembro, os inventários aumentaram 424 milhões de barris, cerca de 1,3 milhões de barris/dia, impulsionados sobretudo pelo aumento do petróleo “on water”, que cresceu 213 milhões de barris desde o final de Agosto. Em contraste, os principais hubs de formação de preços registaram apenas aumentos marginais, reforçando a leitura de mercados paralelos e fortes assimetrias regionais.

Preços do crude pressionados, mas resilientes

Apesar da abundância de crude, os preços têm mostrado alguma resiliência. O North Sea Dated fixou-se em 63,63 dólares por barril em Novembro, a quinta queda mensal consecutiva, enquanto o WTI rondou os 59 dólares. Desde Janeiro, o Brent acumulou uma perda próxima de 20 dólares por barril, num contexto de fundamentos fracos, baixa volatilidade e incentivos reduzidos ao armazenamento.

Refinação concentra as principais tensões

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p style="margin-top: 0in;text-align: justify;background-image: initial;background-position: initial;background-size: initial;background-repeat: initial;background-attachment: initial">O verdadeiro ponto de tensão do mercado permanece nos produtos refinados. As margens de refinação regressaram a níveis observados apenas após a invasão da Ucrânia, sustentadas por interrupções nas refinarias, capacidade limitada fora da China e pela iminência de novas sanções no primeiro trimestre de 2026. A IEA reviu em alta as previsões de runs para 84,4 milhões de barris/dia em 2026, com um crescimento adicional de 750 mil barris/dia, num mercado onde a escassez de capacidade continua a amplificar choques.

Fonte: O Económico

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