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Algodão E Oleaginosas Afirmam-se Como Plataforma De Industrialização E Geração De Valor Em Moçambique

[ai_summary timestamp="17/03/2026 às 09:33" summary="A procura internacional crescente por algodão e oleaginosas está a alterar o papel destes produtos na economia de Moçambique, impulsionando a transição de um modelo primário-exportador para uma integração nas cadeias globais de valor. Com cerca de 750 mil produtores familiares envolvidos, o subsector é crucial para a inclusão económica nas zonas rurais. O Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM) está a apostar na modernização agrícola, no processamento local e na industrialização para aumentar a produtividade e gerar mais valor. Prevê-se um investimento anual de 500 milhões de meticais para modernizar a produção e expandir a capacidade produtiva, com destaque para a mecanização agrícola. A competitividade internacional depende da qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, sendo que o IAOM está a digitalizar a cadeia de valor para aumentar a transparência e credibilidade dos produtos moçambicanos."]
A crescente procura internacional por algodão e oleaginosas está a redefinir o papel deste subsector na economia moçambicana, criando condições para a sua transição de um modelo primário-exportador para uma lógica de maior integração nas cadeias globais de valor.Segundo Edson Almeida, Director-Geral do Instituto do Algodão e Oleaginosas de Moçambique (IAOM), esta dinâmica abre espaço para uma transformação estrutural, desde que o país consiga responder com ganhos de produtividade e capacidade de processamento interno.O subsector assenta numa base produtiva alargada, envolvendo cerca de 750 mil produtores familiares, o que o posiciona como um dos principais instrumentos de inclusão económica nas zonas rurais.Esta dimensão confere-lhe um duplo papel: por um lado, como fonte de rendimento para milhares de famílias; por outro, como plataforma de dinamização das economias locais, com impacto directo na redução da pobreza e no desenvolvimento territorial.A resposta estratégica do IAOM passa pela massificação de tecnologias agrícolas modernas, pelo reforço da assistência técnica e pela ampliação do acesso a insumos de qualidade.O objectivo é claro: elevar os níveis de produtividade por hectare e garantir maior consistência na qualidade da produção. A adopção de práticas agrícolas mais eficientes e sustentáveis surge, assim, como condição essencial para competir em mercados internacionais cada vez mais exigentes.Um dos pontos mais estruturantes da estratégia reside na transformação local da matéria-prima. A exportação em bruto tem limitado historicamente o potencial de geração de valor, emprego e divisas.Neste sentido, o IAOM está a promover a industrialização do subsector, incentivando o processamento do algodão e das oleaginosas no país. A instalação de unidades industriais, como fábricas de processamento e refinação, representa um passo decisivo para capturar maior valor ao longo da cadeia.“Estamos a trabalhar para aumentar a produtividade (…) e o processamento local da matéria-prima, que é essencial para gerar emprego e criar valor dentro do país”, sublinha Edson Almeida.O subsector prepara-se para elevar o investimento anual para cerca de 500 milhões de meticais, num esforço orientado para a modernização da produção e a expansão da capacidade produtiva.Este reforço financeiro inclui a mobilização adicional de mais de 100 milhões de meticais para fortalecer toda a cadeia de valor, com destaque para a mecanização agrícola. As previsões apontam para a preparação mecanizada de mais de 40 mil hectares por ano e o apoio directo a cerca de 50 mil produtores por campanha nos próximos cinco anos.A competitividade internacional do subsector depende, cada vez mais, da sua capacidade de cumprir padrões rigorosos de qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade.Neste quadro, o IAOM está a apostar na digitalização da cadeia de valor, promovendo sistemas de monitoria e gestão que aumentem a transparência e a credibilidade dos produtos moçambicanos. A certificação internacional surge como um vector-chave para o acesso a mercados premium, particularmente na Ásia e na Europa.Apesar dos avanços, o subsector enfrenta desafios significativos. A necessidade de consolidar a digitalização, reforçar o sistema de produção de sementes e expandir a capacidade de processamento interno continua a limitar o seu pleno potencial.Adicionalmente, a volatilidade dos mercados internacionais e a exposição a choques climáticos exigem mecanismos mais robustos de mitigação de risco e maior resiliência produtiva.A trajectória em curso aponta para uma redefinição do papel do algodão e das oleaginosas na economia nacional. Mais do que culturas agrícolas, estes produtos estão a afirmar-se como plataformas de industrialização, geração de emprego e aumento das exportações.Num momento em que Moçambique procura diversificar a sua base económica e reduzir a dependência de sectores extractivos, o sucesso desta agenda poderá posicionar o agronegócio como um dos principais motores de crescimento sustentável e inclusivo.

Fonte: O Económico

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