Resumo
A redução do apoio externo ao setor da saúde em Moçambique está a ter um impacto significativo na luta contra a tuberculose. Com a diminuição do financiamento da USAID e de outros fundos norte-americanos, a capacidade nacional de diagnóstico da doença caiu cerca de 6% de 2024 para 2025, resultando numa diminuição de 9% no número de diagnósticos. Esta redução afetou diretamente os programas comunitários de testagem, com Benedita José, Diretora do Programa de Controlo da Tuberculose, a salientar que os adultos são os mais afetados, devido à reativação das infeções nessa faixa etária. Além disso, a distribuição geográfica dos casos revela desigualdades, com um aumento de incidência em Zambézia e Nampula. Para alcançar a meta de eliminação da tuberculose até 2030, é crucial inovar, investir em pesquisa e garantir financiamento contínuo, tanto nacional como internacional, para os programas de prevenção e diagnóstico.
A redução do apoio externo ao sector da saúde tem deixado marcas profundas na luta contra a tuberculose em Moçambique. De 2024 para 2025, a capacidade nacional de diagnóstico da doença caiu cerca de 6%, segundo dados do Ministério da Saúde. Este recuo coincide com o encerramento do financiamento da USAID e de outros fundos provenientes do regime norte-americano, afectando diretamente os programas comunitários de testagem.
Em números absolutos, pouco mais de 100 mil novos casos de tuberculose são diagnosticados anualmente, mas em 2023, antes do corte, foram registrados aproximadamente 116 mil casos. Após a redução de financiamento, houve uma diminuição de cerca de 9% no número de diagnósticos, reflexo direto da perda de apoio financeiro a entidades que prestam serviços de detecção e acompanhamento da doença.
Benedita José, Diretora do Programa de Controle da Tuberculose, citada pela Moz news, destacou que o impacto se faz sentir principalmente em adultos, faixa etária onde se observa uma reactivação das infecções. “As crianças têm a vantagem da vacina BCG, que previne formas graves da tuberculose. Mas a fase adulta exige acções direcionadas, porque é aí que se concentram as formas mais severas da doença”, explicou Benedita.
A distribuição geográfica dos casos também revela desigualdades. Historicamente, as províncias de Gaza e Inhambane apresentaram os maiores números, mas os últimos dados de 2025 mostram um aumento de incidência em Zambézia e Nampula, reflectindo desafios na cobertura e acesso aos serviços de saúde nessas regiões.
O governo mantém como meta a eliminação da tuberculose até 2030. Desta feita, torna-se necessário inovar, investir em pesquisa, melhorar a coordenação entre serviços públicos e privados, e garantir financiamento contínuo, tanto nacional quanto internacional, para programas de prevenção e diagnóstico.
Por fim, o corte do financiamento externo evidencia a vulnerabilidade do sistema de saúde a mudanças políticas internacionais. Pois, a redução de 6% na capacidade de diagnóstico pode parecer pequena em termos percentuais, mas representa milhares de pessoas que não foram identificadas a tempo, aumentando o risco de transmissão e complicações.






