O académico moçambicano e antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane, Brazão Mazula, passa a contar, desde esta quinta-feira, com uma fundação que pretende preservar e expandir o seu legado intelectual, científico e humanista em Moçambique.
A Fundação Brazão Mazula, inaugurada na Cidade de Maputo, surge por iniciativa de cidadãos admiradores do percurso académico e político do patrono, com o objectivo de promover educação, pesquisa científica, cidadania e formação tecnológica, numa altura em que o País enfrenta desafios ligados à transformação digital e à inclusão do conhecimento científico.
Durante a cerimónia de lançamento, realizada no bairro de Laulane, o presidente da fundação, Rafael Sapato, afirmou que a criação da instituição representa uma forma de dar continuidade ao contributo de Brazão Mazula para o desenvolvimento intelectual do País.
“A Fundação Brazão Mazula resulta da admiração ao seu patrono por parte de alguns cidadãos e da necessidade de ver continuado o seu legado, sobretudo na educação, formação, pesquisa científica e contributo social”, declarou.
Sapato explicou que a ideia começou a ser desenhada em 2021, durante o período da pandemia da Covid-19, inicialmente como uma associação voltada ao desenvolvimento científico e cultural.
Segundo o responsável, a evolução do projecto levou os promotores a concluírem que uma fundação seria o modelo mais adequado para assegurar maior alcance institucional e sustentabilidade.
“Inspirada no seu patrono, a fundação pretende combinar tecnologia e humanidade, em vista a criar um Moçambique novo. Países que apostaram numa cultura científica rigorosa, sem esquecer a humanidade, conseguiram alcançar estabilidade”, afirmou.
A aposta na tecnologia e na formação digital foi destacada como um dos pilares centrais da nova instituição. Brazão Mazula defendeu que a transformação digital e a segurança cibernética serão determinantes para o futuro das sociedades modernas.
“A transição digital e a segurança cibernética são o futuro da humanidade. A fundação aposta na formação de uma nova geração capaz de dominar os meios digitais com espírito crítico para o bem do País e da humanidade”, afirmou o académico.
Mazula sublinhou ainda que a fundação terá uma vocação cultural e educativa, funcionando através de contribuições, doações e legados.
“Uma fundação vive de doações e legado. Não é uma fábrica nem uma empresa comercial. O seu objectivo é compreender melhor o mundo que nos rodeia e contribuir para a sociedade”, acrescentou.
A criação da Fundação Brazão Mazula acontece num momento em que cresce o debate sobre a necessidade de reforçar a investigação científica, a inovação tecnológica e a produção de conhecimento em Moçambique, sobretudo entre os jovens universitários.