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Estatísticas Mundiais de Saúde têm avanços, mas mundo está longe das metas de 2030

Resumo

A Organização Mundial da Saúde divulgou as Estatísticas Mundiais de Saúde de 2026, revelando progressos na redução de doenças infecciosas, como a diminuição de novas infeções por HIV e tuberculose. No entanto, a malária aumentou globalmente, afastando-se das metas para 2030. O relatório destaca desigualdades no progresso rumo aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de saúde, com lacunas de dados e altas taxas de fatores de risco evitáveis. A violência contra mulheres permanece um problema, com altas taxas de violência por parceiros íntimos e não parceiros. Apesar de desafios, houve reduções no uso de tabaco e álcool. O diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, salientou avanços na saúde global, mas alertou que o progresso é insuficiente e desigual, especialmente em países de baixa renda e comunidades vulneráveis.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, publicou nesta quarta-feira as Estatísticas Mundiais de Saúde de 2026, que indicam avanços, como a queda no número de certas doenças infecciosas.

Segundo o relatório, as doenças infecciosas continuam apresentando declínio global de longo prazo: entre 2010 e 2024, as novas infecções por vírus da imunodeficiência humana, HIV, caíram 40%; a taxa de incidência da tuberculose diminuiu 12% desde 2015. Entretanto, a incidência global de malária aumentou 8,5% desde 2015, afastando-se ainda mais da meta de 2030. 

Progressso é desigual e lento demais

O relatório destaca a natureza frágil e desigual das melhorias recentes e mostra que o mundo continua longe de atingir as metas dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, relacionados à saúde até 2030.

O progresso global em direção aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, continua desigual e lento demais para atingir as metas de 2030, restando menos de cinco anos. De acordo com o relatório, em algumas áreas, lacunas persistentes de dados impedem uma avaliação adequada do progresso.

As altas taxas de prevalência de fatores de risco evitáveis continuam limitando melhorias. A prevalência global de anemia em mulheres em idade reprodutiva, por exemplo, aumentou para 30,7% em 2023, em comparação com 2012, e o sobrepeso em crianças menores de 5 anos atingiu 5,5% em 2024.

Unaids prosseguirá com os esforços para garantir o atendimento a todas as pessoas vivendo  com o HIV
Sean Kimmons/Irin
Unaids prosseguirá com os esforços para garantir o atendimento a todas as pessoas vivendo com o HIV

Violência contra as mulheres é alta

A violência contra mulheres permanece disseminada, segundo o documento da OMS. Em 2023, estima-se que 24,7% das mulheres e meninas de 15 anos ou mais foram submetidas à violência por parceiro íntimo, e 8,2% sofreram violência sexual por não parceiros. Os números devem ser ainda maiores devido à subnotificação.

Apesar dos desafios, alguns fatores de risco diminuíram. Tanto o uso de tabaco quanto o consumo de álcool caíram desde 2010 e devem ficar apenas ligeiramente abaixo das metas globais. 

Segundo o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, “nas últimas duas décadas, compromissos nacionais e multilaterais sustentados proporcionaram avanços significativos na saúde global: reduções expressivas na mortalidade materna e infantil, na incidência de HIV e tuberculose, no uso de tabaco e no consumo de álcool”. Essas conquistas, segundo ele, “demonstram que ações coordenadas em larga escala produzem resultados mensuráveis”.

Para Tedros, o relatório apresenta um panorama preocupante. O progresso em direção aos ODS relacionados à saúde é insuficiente, desigual entre regiões e populações, e cada vez mais vulnerável a choques sistêmicos.

Ele afirmou também que “uma carga desproporcional recai sobre países de baixa e média renda e comunidades desassistidas, especialmente em contextos frágeis e afetados por conflitos”.

Mortalidade materna e vacinas

O relatório informa que as taxas globais de mortalidade melhoraram desde 2000, mas o progresso desacelerou fortemente.  A taxa de mortalidade materna e a de mortalidade de menores de 5 anos caíram 40% e 51%, respectivamente, desde 2000, mas o ritmo diminuiu. A taxa de mortalidade materna em 2023 ainda é quase três vezes maior que a meta, e muitos países não estão no caminho para atingir os objetivos de mortalidade infantil.

O progresso rumo à cobertura universal de saúde desacelerou consideravelmente. Entre 2015 e 2023, o índice global passou de 68 para 71, refletindo uma desaceleração em comparação ao período de 2000–2015.

Cerca de um quarto da população global enfrenta dificuldades financeiras devido aos gastos diretos com saúde, e 1,6 bilhão de pessoas vivem na pobreza ou foram empurradas para ela devido a despesas médicas até 2022.

A cobertura de quatro vacinas infantis ainda está abaixo da meta global de 90%, especialmente para a segunda dose da vacina contra o sarampo, e as lacunas de imunidade continuam alimentando surtos.

Anastasia Marulya está em uma cama de hospital em uma ala de maternidade em Chisinau, Moldávia, com seu filho recém-nascido.
Unfpa/Siegfried Modola
Todas as mulheres merecem os cuidados de que precisam para sobreviver à gravidez e ao parto. Anastasia sorri ao lado de seu filho recém-nascido em Chisinau, Moldávia

Covid-19

O relatório indica que, globalmente, estima-se que ocorreram 22,1 milhões de mortes associadas à pandemia de Covid-19 entre 2020 e 2023, aproximadamente três vezes mais do que os 7 milhões de mortes oficialmente registradas.

A mortalidade foi maior em 2021, com 10,4 milhões de mortes, à medida que variantes mais letais surgiram e os sistemas de saúde enfrentaram enorme pressão, antes de cair para 3,3 milhões em 2023.

Idosos e mortalidade

Os homens apresentaram consistentemente maior mortalidade do que as mulheres. Houve também um fator etário: a mortalidade aumentou drasticamente entre idosos e foi dez vezes maior em pessoas com 85 anos ou mais do que entre adultos mais jovens. Segundo o documento, esses padrões de mortalidade associados à pandemia moldaram mudanças recentes na expectativa de vida global e na expectativa de vida saudável. 

Esses dois indicadores cresceram continuamente entre 2000 e 2019, mas a pandemia apagou quase uma década de progresso. Embora ambos tenham se recuperado parcialmente desde 2021, com a expectativa de vida feminina retornando aos níveis pré-pandemia até 2023, a maioria das medidas ainda permanece ligeiramente abaixo dos níveis anteriores à pandemia.

O relatório Estatísticas Mundiais de Saúde de 2026 é a principal compilação anual de indicadores globais de saúde e relacionados à saúde. A edição deste ano consolida dados de indicadores de saúde relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. 

*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra.

Fonte: ONU

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