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Absa Avalia Adesão À Plataforma Chinesa CIPS Para Expandir Pagamentos Em Yuan Em África

Resumo

O grupo financeiro sul-africano Absa está a considerar aderir ao Cross-Border Interbank Payment System (CIPS), plataforma chinesa de pagamentos internacionais em yuan, devido ao aumento do comércio entre África e China e ao interesse crescente de bancos africanos em alternativas ao sistema financeiro dominado pelo dólar. A Bloomberg revelou que o CEO da unidade queniana do Absa, Abdi Mohamed, está em conversações sobre o potencial impacto do CIPS no continente africano, destacando a possibilidade de facilitar pagamentos em yuan, reduzir custos e simplificar transações comerciais com a China. Esta adesão ao CIPS reflete a consolidação da presença financeira chinesa em África, apontando para uma transformação nas relações económicas entre os dois continentes, com a China a procurar expandir a sua influência monetária e financeira para além do comércio de bens e infraestruturas.

O grupo financeiro sul-africano Absa está a avaliar a possibilidade de aderir ao Cross-Border Interbank Payment System (CIPS), plataforma chinesa de pagamentos internacionais em yuan, numa altura em que cresce o comércio entre África e China e aumenta o interesse de bancos africanos em mecanismos alternativos ao sistema financeiro dominado pelo dólar norte-americano. A informação foi avançada pela Bloomberg.

Segundo a Bloomberg, Abdi Mohamed, CEO da unidade queniana do Absa, afirmou que o banco já participa nas “primeiras conversações” sobre o sistema e o seu potencial impacto para o continente africano.

O responsável acrescentou que o CIPS poderá tornar-se uma plataforma relevante para facilitar pagamentos internacionais em yuan, reduzindo custos operacionais e simplificando transacções ligadas ao comércio com a China.

China Consolida Influência Financeira Em África

A Bloomberg refere que o desenvolvimento reflecte uma tendência mais ampla de aprofundamento da presença financeira chinesa em África, impulsionada pela expansão das relações comerciais, infra-estruturas, investimento e financiamento entre Pequim e os países africanos.

Actualmente, a maioria das transacções comerciais entre empresas africanas e chinesas continua dependente do dólar norte-americano como moeda intermediária. Isto significa que importadores africanos convertem primeiro as suas moedas locais em dólares e, posteriormente, os dólares em yuan, aumentando custos de transacção e exposição cambial.

Além do encarecimento das operações, o modelo expõe economias africanas a problemas recorrentes de escassez de dólares e volatilidade cambial internacional.

É precisamente neste contexto que plataformas como o CIPS ganham relevância estratégica, permitindo liquidações directas em yuan sem necessidade de intermediação em dólar.

Relações China-África Entram Numa Nova Etapa Financeira

Mais do que uma simples inovação operacional, a crescente adesão africana ao sistema CIPS representa um sinal de transformação estrutural das relações económicas entre China e África.

Nas últimas duas décadas, Pequim consolidou-se como principal parceiro comercial do continente africano, expandindo fortemente a sua presença em sectores como infra-estruturas, energia, mineração, telecomunicações, manufactura, agricultura e financiamento ao desenvolvimento.

Contudo, apesar da intensidade crescente dessas relações comerciais, grande parte das transacções continua ainda dependente da arquitectura financeira dominada pelo dólar e pelos sistemas ocidentais de pagamentos internacionais.

A expansão do uso do yuan nas transacções China-África sugere, por isso, uma gradual reconfiguração geoeconómica das relações comerciais internacionais, em que a China procura não apenas exportar bens, capital e infra-estruturas, mas também consolidar influência monetária e financeira.

Para África, esta tendência poderá significar menores custos de transacção, maior diversificação financeira e redução da pressão sobre reservas em dólar — sobretudo em economias frequentemente afectadas por escassez de divisas.

Ao mesmo tempo, poderá reforçar a integração comercial directa com a China, tornando mais eficiente o financiamento de importações, cadeias logísticas e comércio bilateral.

Por outro lado, especialistas observam que esta dinâmica também poderá aprofundar a dependência financeira de algumas economias africanas relativamente à China, ampliando a influência estratégica de Pequim sobre sectores críticos do continente.

Standard Bank Já Lidera Movimento No Continente

De acordo com a Bloomberg, o Standard Bank tornou-se, em Novembro passado, o primeiro banco africano a ligar-se directamente ao sistema CIPS, tendo já processado cerca de 9,5 mil milhões de rands — equivalentes a aproximadamente 572 milhões de dólares — nos últimos seis meses.

Separadamente, o CEO do Ecobank, Jeremy Awori, revelou igualmente que o grupo está em processo de adesão à plataforma chinesa.

O movimento demonstra que algumas das maiores instituições financeiras africanas começam a encarar o sistema chinês não apenas como instrumento operacional, mas também como componente estratégica da crescente multipolaridade financeira global.

BRICS E Desdolarização Ganham Novo Impulso

A Bloomberg sublinha que o avanço do CIPS em África surge num contexto mais amplo de fortalecimento das iniciativas promovidas pelos BRICS para reduzir a dependência dos sistemas financeiros dominados pelos Estados Unidos e ampliar o uso de moedas locais no comércio internacional.

Embora o dólar continue a ser a principal moeda de reserva e transacção global, países emergentes têm procurado alternativas que lhes permitam reduzir vulnerabilidades associadas às sanções financeiras, volatilidade cambial e custos de intermediação internacional.

A expansão gradual do yuan nos sistemas de pagamento internacionais representa igualmente parte da estratégia chinesa de internacionalização da sua moeda e de reforço da influência geoeconómica de Pequim.

Absa Procura Facilitar Comércio Com A China

Segundo a Bloomberg, o objectivo do Absa passa por simplificar o processo de liquidação directa das operações comerciais relacionadas com a China.

O grupo financeiro sul-africano, presente em 12 países africanos, procura assim posicionar-se num segmento com potencial crescente, numa altura em que a China continua a consolidar-se como o principal parceiro comercial de África.

Além do tema dos pagamentos internacionais, Mohamed revelou que o Absa Kenya pretende duplicar os lucros antes de impostos nos próximos cinco anos, mantendo o ritmo de crescimento registado no último quinquénio.

Guerra No Médio Oriente Surge Como Novo Factor De Risco

O responsável do Absa alertou, entretanto, que o conflito envolvendo o Irão poderá gerar impactos negativos sobre cadeias de abastecimento, inflação e perspectivas de crescimento económico.

Segundo Mohamed, o efeito mais imediato esperado pelo banco será o aumento da procura por crédito e maiores necessidades de financiamento para importações, devido à subida dos custos dos bens internacionais.

O banco revelou ainda estar atento a oportunidades de aquisições no mercado queniano, numa estratégia de expansão da sua quota de mercado regional.

Fonte: O Económico

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