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A HISTÓRIA QUE AS ESCOLAS NÃO ENSINAM

Resumo

Óscar Paul, narrador desportivo em parceria com canais sul-africanos, destaca a sua situação privilegiada num canal voltado para os falantes de Língua Portuguesa na África do Sul e PALOP, evitando assim a competição com locais. No entanto, reconhece a existência de discurso xenófobo cíclico no país, atribuindo-o ao aumento do desemprego. Paul defende a imprensa por relatar a realidade sem amplificar ou esconder os problemas, mas salienta que a violência xenófoba persiste. Critica a falta de reconhecimento na educação sul-africana do contributo de Moçambique e da Linha da Frente para a independência do país. Identificando-se como moçambicano a trabalhar num canal sul-africano para a África lusófona, Paul destaca a importância de reconhecer a diversidade de contribuições para a história da região.

Óscar Paul, colega de Henrique Aly,  é outra das vozes emblemáticas da narração desportiva e trabalha em parceria com canais sul-africanos. A sua realidade, no entanto, é distinta da de muitos outros emigrantes.

“Felizmente, estou num canal essencialmente virado para os falantes de Língua Portuguesa na África do Sul e PALOP e, por isso, não ‘competimos’ com os sul-africanos. A existência do “Máximo” garante postos de trabalho aos locais que preenchem a quase totalidade das restantes funções, como realização, produção, áudio, vídeo, etc., excepto a narração e apresentação, que têm de ser feitas por estrangeiros falantes de Português. Então, pessoalmente, não sinto discriminação”, esclarece.

Mas quanto ao discurso xenófobo, Paul sabe bem que é cíclico e tem raízes profundas. “O discurso xenófobo tem sido cíclico, com tendência para agravar-se, devido, especialmente, ao aumento da taxa de desemprego, que hoje está nos 32,7 por cento, ou seja, um em cada três sul-africanos não tem emprego, com particular ênfase na juventude. Isso acaba por desencadear, infelizmente, os instintos mais primitivos na sociedade, com focos de violência localizados, especialmente, na periferia de algumas cidades”, analisa.

Sobre o papel da imprensa, Paul é pragmático: “Dizer a verdade como estou a fazer. A comunicação social, no geral, tem feito o seu trabalho. Ela não deve amplificar, nem escamotear a realidade. O problema existe, a violência xenófoba também. É ‘normal o dono da terra’ sempre achar que quem vem de fora é o problema e que tira as suas oportunidades, mesmo que ele não se tenha preparado para aproveitá-las. Não será a imprensa a resolver a porosidade das fronteiras”.

E acrescenta uma reflexão que poucos ousam verbalizar: “Nós aprendemos desde crianças sobre o contributo da Tanzania, Nyerere, Zâmbia, Kaunda, etc., para a nossa independência. As escolas sul-africanas não ensinam sobre o contributo de Moçambique e da Linha da Frente, hoje SADC, para a sua emancipação”.

A sua identidade? “Sou um moçambicano a trabalhar num canal sul-africano para a África que fala Português”, resume.

Fonte: Jornaldesafio

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