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Profissional da OMS na RD Congo explica ações para conter propagação do ebola

Resumo

Profissionais de saúde na República Democrática do Congo enfrentam desafios para conter a epidemia de ebola, devido à instabilidade política e insegurança nas áreas afetadas. A OMS destaca a importância do rastreamento de contactos, isolamento de casos suspeitos e medidas de higiene para prevenir a propagação do vírus. Comunidades vulneráveis estão a ser sensibilizadas, recordando um surto anterior que causou mais de 2,3 mil mortes. Recentemente, foi confirmado o vírus Bundibugyo, mais raro e letal, exigindo medidas de proteção rigorosas para profissionais de saúde. A gestão adequada de resíduos biológicos é essencial para evitar infeções. A resposta inclui apoio da OMS ao governo local com pessoal, suprimentos e estratégias para combater a epidemia.

Profissionais de saúde estão correndo contra o tempo para conter a epidemia de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo. A maior barreira são desafios de instabilidade política e insegurança nas áreas afetadas pela doença.

A representante da Organização Mundial da Saúde, OMS, no país contou à ONU News que os grandes deslocamentos de pessoas causados por conflitos estão ajudando a espalhar a doença. 

Rastreamento e isolamento

Falando de Ituri, a província que registrou os primeiros casos, Anne Ancia explicou que, na ausência de vacinas, a única forma de conter a transmissão do vírus é rastreando os contatos e isolando os casos suspeitos.

“As comunidades devem limpar as mãos, devem fazer distanciamentos sociais. Vão ter que fazer funerais em segurança. Então vamos ter que diminuir o número das pessoas que vão nos funerais, porque esse é um lugar onde se faz muito a transmissão do vírus. Precisamos que a pessoa que apresente os sintomas venha, muito rapidamente, para a infraestrutura de saúde para receber o tratamento e também para fazer uma lista dos contatos que tiveram todos os dias, desde cinco dias antes de apresentar os sintomas. Vamos ter que isolar essas pessoas e fazer o seguimento. Temos que isolar essas pessoas para romper a transmissão do vírus”.

A chefe da OMS na RD Congo destacou que embora vivam sob extrema vulnerabilidade, as comunidades já conhecem a doença, pois enfrentaram um surto de grandes proporções em 2018 e 2019, quando mais de 2,3 mil pessoas morreram de ebola.

Letalidade de 50%

Anne Ancia,  que acaba de assumir o posto, foi informada que as autoridades de saúde locais estavam investigando mortes relacionadas a uma doença desconhecida em Bunia. Testes para ebola chegaram a ser feitos, mas o resultado foi negativo. 

A OMS apoiou o envio das amostras para a capital, Kinshasa, onde foi confirmado o vírus do tipo Bundibugyo, que é mais raro e, portanto, não estava sendo detectado no nível da província, onde os testes buscavam a cepa Zaire. A agência tem apoiado desde então a resposta do governo, com profissionais, suprimentos e estratégias.   

Anne enfatizou que o Bundibugyo é menos virulento que o Zaire, mas tem uma letalidade de cerca de 50%, considerada muito grave.

Proteção de profissionais de saúde

Alguns casos também foram identificados entre os profissionais de saúde. Anne explicou que protocolos rigorosos de biossegurança precisam ser estabelecidos para proteger as equipes, que serão fundamentais na resposta a esta crise. 

“Então as pessoas profissionais de saúde vão ter que pôr equipamento de proteção pessoal nas infraestruturas de saúde. Vamos estabelecer sistemas de prevenção e controle das infecções. Vamos ter um caminho especial para as pessoas doentes entrarem. Vai ter um caminho muito diferente para os profissionais de saúde entrarem, para eles não se infectarem”. 

Outro ponto crucial será a gestão do lixo biológico, o que requer uma grande operação logística para prevenir infecções. 

Anne disse que devido a quantidade crescente de casos, a OMS está trabalhando com organizações parceiras para identificar ou construir novas estruturas que possam ser usados como unidades de isolamento e tratamento. 

Dois profissionais de saúde com equipamento de proteção individual amarelo e branco e máscaras dentro de uma instalação médica.
WHO Africa
Profissionais de saúde em Uganda

Unicef Portugal lança apelo para proteger crianças

As crianças na RD Congo e Uganda estão entre os grupos mais vulneráveis ao surto do vírus ebola, devido a disrupção de cuidados e serviços essenciais à saúde, proteção e bem-estar.

Face a esta emergência de saúde pública, o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, Portugal lançou um apelo urgente à sociedade civil para apoiar as crianças e famílias que estão sendo atingidas pela epidemia.

A responsável pela comunicação da agência em Portugal, Catarina da Ponte, disse que “é fundamental garantir acesso humanitário seguro e sustentado às comunidades afetadas”. 

Em nota, o Unicef Portugal destacou que a rapidez da resposta humanitária é determinante para travar a propagação do vírus e proteger as crianças. 

 

*Felipe de Carvalho é redator da ONU News português

Fonte: ONU

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