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UniLúrio revela estudo sobre “batata africana” e aposta em inovação científica na saúde

Resumo

Uma investigação da Universidade Lúrio revelou que a planta medicinal "batata africana" pode conter compostos úteis no tratamento de pacientes com HIV. O estudo identificou o fitoquímico proxenidina A2, que pode bloquear a entrada do vírus nas células humanas. Embora promissor, o estudo ainda não tem aplicação clínica e requer mais testes laboratoriais. Os investigadores enfatizam a integração do conhecimento tradicional com métodos científicos modernos. Paralelamente, na mesma universidade, projetos inovadores estão a ser desenvolvidos, como um sistema de mapeamento de criadouros de mosquitos usando drones e uma plataforma digital de saúde para monitorização de parâmetros clínicos. Estas iniciativas demonstram a aposta em tecnologias emergentes para soluções na área da saúde pública.

Uma investigação desenvolvida na Universidade Lúrio (UniLúrio) concluiu que a planta medicinal conhecida como “batata africana” (Hypoxis hemerocallidea) poderá conter compostos com potencial relevância no apoio ao tratamento de pacientes com HIV, abrindo caminho para futuras pesquisas laboratoriais e clínicas.

O estudo, ainda de carácter teórico, foi desenvolvido pelo recém-graduado em Farmácia Hamza Daúde, em parceria com a docente de Química Farmacêutica Laize Beca, e baseou-se na análise de literatura científica e no cruzamento de dados assistido por inteligência artificial.

De acordo com os investigadores, foi identificado um fitoquímico denominado proxenidina A2, que poderá actuar sobre o receptor CCR5 — mecanismo associado à entrada do vírus HIV nas células humanas.

Hamza Daúde explica que o composto poderá impedir a infecção ao bloquear o processo de ligação viral.

“É um fitoquímico que foi identificado contra o receptor CCR5, responsável pela entrada do vírus na célula do hospedeiro. O efeito seria bloquear essa entrada, impedindo a infecção”, afirmou o investigador.

O estudo defende que o conhecimento tradicional sobre plantas medicinais pode ser integrado com ferramentas modernas de análise científica, permitindo validações laboratoriais mais robustas.

Apesar dos resultados promissores, os investigadores alertam que a pesquisa ainda não tem aplicação clínica e necessita de testes laboratoriais aprofundados, incluindo estudos de toxicidade e segurança.

Hamza Daúde sublinha que o objectivo não é substituir os tratamentos já existentes, mas sim contribuir para a validação científica de conhecimentos tradicionais.

“A ideia não é substituir os fármacos usados na prática clínica, mas validar o conhecimento tradicional. Existem muitas limitações e seria necessário optimizar a molécula”, explicou.

O estudo foi submetido à revista científica internacional Clinical Traditional Medicine and Pharmacologic em Setembro de 2025 e publicado em Maio de 2026, após cerca de sete meses de avaliação.

A investigação insere-se num movimento mais amplo de inovação científica na Universidade Lúrio, onde estudantes têm recorrido a tecnologias emergentes, incluindo inteligência artificial e ferramentas digitais, para desenvolver soluções na área da saúde pública.

Entre os projectos em curso destaca-se um sistema de mapeamento de criadouros de mosquitos com recurso a drones, desenvolvido pelo estudante Dalton Edítio.

O projecto visa identificar zonas com água parada e potenciais focos de proliferação do mosquito transmissor da malária.

“Queremos identificar os potenciais criadouros antes da fase adulta do mosquito, porque sem mosquito não há malária”, explicou o estudante.

Outro projecto em desenvolvimento é uma plataforma digital de saúde que permite aos pacientes registar parâmetros clínicos como pressão arterial e glicemia, além de aceder a conteúdos educativos e suporte informativo.

A médica e mestranda em Saúde Pública Imersa Sigaúque afirma que a ferramenta pretende reduzir a distância entre consultas e melhorar o acompanhamento dos doentes.

“Os pacientes têm dúvidas entre consultas. A plataforma inclui uma biblioteca de saúde para esclarecer questões nesse período”, referiu.

A direcção da Universidade Lúrio reconhece que várias destas iniciativas ainda requerem validação científica e aprovação de comités de bioética antes de avançarem para aplicação prática.

Segundo o representante académico Alexandre Biquisa, os projectos representam uma oportunidade para fortalecer a produção científica e atrair financiamento para investigação aplicada.

“Queremos usar estas iniciativas como motor para melhorar a produção científica e captar financiamento”, afirmou.

Os projectos apresentados reflectem uma tendência crescente de integração entre ciência tradicional, inovação tecnológica e inteligência artificial na investigação em saúde em Moçambique, num contexto em que instituições académicas procuram soluções locais para desafios como o HIV e a malária.

Embora ainda em fase inicial, os estudos abrem perspectivas para futuras pesquisas mais aprofundadas e eventual desenvolvimento de novas abordagens terapêuticas e tecnológicas no sector da saúde.

Fonte: O País

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