Resumo
A situação humanitária em Ancuabe, Cabo Delgado, agravou-se com mais de 19 mil deslocados devido aos ataques de grupos armados. A OIM reporta um aumento significativo de deslocados entre 1 de Maio e 3 de Junho, procurando refúgio em Ancuabe, Montepuez e Chiúre. Cerca de metade dos afetados são crianças, com riscos de separação familiar, violência de género e problemas psicossociais. Os ataques do Estado Islâmico têm destruído habitações e infraestruturas, gerando insegurança. Esta crise ocorre num contexto de instabilidade em Cabo Delgado desde 2017, com milhares de mortes e deslocados. A OIM destaca a necessidade de reforçar a assistência, dada a pressão sobre recursos básicos. Organizações humanitárias alertam para o agravamento das necessidades de assistência, exigindo uma resposta coordenada.
A situação humanitária no distrito de Ancuabe, província de Cabo Delgado, agravou-se significativamente nas últimas semanas, com mais de 19 mil pessoas obrigadas a abandonar as suas casas devido à intensificação dos ataques perpetrados por grupos armados não estatais. Dados divulgados esta segunda-feira pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que entre 1 de Maio e 3 de Junho foram registados 19 325 deslocados, um aumento expressivo face ao balanço anterior.
Segundo a OIM, os deslocados procuraram refúgio em diferentes localidades do próprio distrito de Ancuabe, bem como nos distritos vizinhos de Montepuez e Chiúre. As zonas de Milamba Expansão, Nanjua A, Nanjua B e Meza-Sede concentram actualmente a maior parte da população deslocada.
Os números revelam ainda a dimensão humana da crise. Entre os deslocados encontram-se mais de 9 500 crianças, o equivalente a cerca de metade da população afectada, além de milhares de mulheres, incluindo grávidas, idosos e pessoas com deficiência. A OIM alerta para riscos acrescidos de separação familiar, violência baseada no género, perda de documentação e agravamento de problemas psicossociais decorrentes da deslocação forçada.
A deterioração da segurança em Ancuabe tem sido marcada por sucessivos ataques reivindicados por elementos associados ao grupo extremista Estado Islâmico. Entre os incidentes mais recentes figuram a destruição de habitações, estabelecimentos comerciais e infra-estruturas religiosas em localidades como Nacoja e Minheuene, provocando novas vagas de deslocação e aumentando o sentimento de insegurança entre as comunidades locais.
A crise em Ancuabe ocorre num contexto mais amplo de instabilidade em Cabo Delgado, província que enfrenta uma insurgência armada desde Outubro de 2017. Ao longo destes anos, o conflito já provocou milhares de mortes e deslocações em massa, constituindo uma das mais graves crises humanitárias da África Austral. A própria OIM tem reiterado a necessidade de reforçar a assistência às populações afectadas, numa altura em que as comunidades de acolhimento enfrentam crescente pressão sobre recursos básicos como alimentação, água, saúde e abrigo.
Perante a continuidade dos ataques, organizações humanitárias alertam que o aumento do número de deslocados poderá agravar ainda mais as necessidades de assistência na região, exigindo uma resposta coordenada entre o Governo, parceiros internacionais e organizações de ajuda humanitária.






