Resumo
O Sistema Volta em Portugal devolveu 10 milhões de embalagens em dois meses, equivalente a 1 milhão de euros aos consumidores. No entanto, comparado com o consumo mensal de 125 a 250 milhões de embalagens, a taxa de sucesso é de apenas 4.5% a 5%. Apesar de incentivar a redução do consumo de embalagens individuais, muitos consumidores estão a evitar produtos abrangidos pelo sistema devido ao custo do depósito. Enquanto a mudança de hábitos parece estar a funcionar, a eficácia na devolução do dinheiro aos cidadãos está a falhar. A incerteza persiste sobre se os portugueses vão continuar a aderir ao Sistema Volta ou alterar os seus hábitos de consumo para evitar o pagamento do depósito.
Os primeiros dados oficiais mostram que foram devolvidas 10 milhões de embalagens, entre garrafas de plástico e latas de alumínio. À primeira vista, para quem olha apenas para os títulos dos jornais, este número até parece saudável. Mas… num país em 2026 onde o consumo de bebidas é massivo, as coisas não são bem assim.

Portanto, vamos aos números que a máquina não quer que tu saibas.
A devolução de 10 milhões de embalagens em dois meses significa que foi devolvido cerca de 1 milhão de euros aos consumidores que se deram ao trabalho de aderir ao Sistema Volta. Pois bem, o problema surge quando colocamos este valor em perspetiva face à quantidade absurda de plástico e alumínio que os portugueses consomem todos os meses.
De acordo com as estimativas do mercado, o consumo mensal em Portugal anda algures entre as 125 milhões e 250 milhões de embalagens. Mas, no lado do sistema Volta, o mercado total de embalagens de bebidas abrangidas por este tipo de sistemas (PET e Alumínio até 3L) anda à volta de 1.2 a 1.4 mil milhões de embalagens por ano.
Ou seja, 100 a 115 milhões de embalagens mensais compatíveis com o sistema volta.
Isto significa que, todos os meses, circulam entre 10 e 11.5 milhões de euros em depósitos cobrados nas faturas. Ora, se em dois meses só regressaram 10 milhões de embalagens às máquinas, a média dá uns singelos 5 milhões de devoluções por mês.
Feitas as contas, isto representa uma taxa de sucesso ridícula, entre os 4.5% e os 5% de todas as embalagens vendidas no nosso país.
Mesmo que uma parte deste universo de garrafas e latas não seja compatível com o sistema por um motivo ou por outro, a conclusão é óbvia: a esmagadora maioria dos depósitos que pagaste na caixa do supermercado está a evaporar-se e a enriquecer o sistema.

Olhando para este cenário, será que podemos considerar o Sistema Volta um sucesso em alguma frente? Se o objetivo secundário era assustar as pessoas e fazê-las baixar o consumo de embalagens individuais de plástico e alumínio, a resposta é surpreendentemente sim.
Muitos consumidores estão simplesmente a desistir de comprar produtos abrangidos pelo sistema devido à chatice e ao custo do depósito, optando por alternativas de fora que acabam por ser mais amigas do ambiente.
Ou seja, se uma pessoa deixa de comprar pacotes de garrafas de 0.33L, 0.5L ou 1L para passar a carregar garrafões de 3L, 5L ou 6L para casa, estamos a ver um decréscimo real no volume de plástico que vai parar ao lixo. Portanto, nesse campo da mudança de hábitos, a coisa até está a funcionar. Já no que toca à eficácia da devolução do dinheiro ao cidadão, o sistema está a falhar redondamente. Resta saber se é apenas uma fase de adaptação ou se os portugueses vão continuar a deixar o dinheiro esquecido nas máquinas.
Para terminar, costumas dar-te ao trabalho de devolver as tuas garrafas e latas no Sistema Volta ou já mudaste os teus hábitos de consumo em 2026 para evitar pagar o depósito? Deixa a tua opinião nos comentários.
Fonte: Zero Zero






