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VISA E OPENAI PREPARAM NOVA ERA DIGITAL COM COMPRAS REALIZADAS POR AI

Resumo

A Visa e a OpenAI uniram-se para desenvolver o "comércio agêntico", onde agentes de Inteligência Artificial desempenham um papel ativo desde a pesquisa de produtos até à conclusão da transação online. Esta parceria, anunciada durante o Visa Payments Forum 2026, permitirá que assistentes digitais como o ChatGPT interajam diretamente com a infraestrutura de pagamentos da Visa, executando tarefas comerciais em nome dos utilizadores. O conceito baseia-se na autonomia dos agentes de IA para cumprir objetivos definidos pelos utilizadores, como pesquisar, comparar preços, selecionar ofertas e efetuar pagamentos. A Visa pretende tornar-se a infraestrutura de confiança para transações seguras e escaláveis com agentes digitais, enquanto a OpenAI expande as capacidades dos seus modelos de IA para ações no mundo económico.

Por: Alfredo Júnior

A forma como as pessoas compram bens e serviços na internet poderá estar prestes a sofrer uma das maiores transformações desde o surgimento do comércio electrónico. A gigante global de pagamentos Visa e a OpenAI anunciaram uma parceria estratégica destinada a desenvolver o chamado "comércio agêntico" (agentic commerce), um modelo em que agentes de Inteligência Artificial passam a desempenhar um papel activo em todo o processo de compra, desde a pesquisa de produtos até à conclusão da transacção.

O anúncio foi realizado durante o Visa Payments Forum 2026, em São Francisco, nos Estados Unidos, e representa mais um passo na corrida global para integrar a Inteligência Artificial às actividades económicas do dia-a-dia. A iniciativa permitirá que plataformas da OpenAI, incluindo o ChatGPT, possam interagir directamente com a infraestrutura de pagamentos da Visa, criando um ambiente em que assistentes digitais não apenas aconselham os utilizadores, mas também executam determinadas tarefas comerciais em seu nome.

O conceito de comércio agêntico baseia-se na utilização de agentes de IA capazes de actuar autonomamente para cumprir objectivos definidos pelos utilizadores. Na prática, um consumidor poderá indicar ao seu assistente virtual que pretende comprar um computador portátil dentro de uma determinada faixa de preço, reservar um voo para uma data específica ou adquirir materiais para uma empresa. O agente será responsável por pesquisar opções, comparar preços, analisar avaliações, seleccionar a melhor oferta e efectuar o pagamento.

Segundo as empresas envolvidas, os utilizadores manterão controlo sobre as decisões financeiras através de mecanismos de segurança previamente configurados, incluindo limites de gastos, categorias de comerciantes autorizados e exigência de aprovação humana para determinadas compras.

Para a Visa, a parceria insere-se numa estratégia mais ampla denominada "Visa Intelligent Commerce", destinada a adaptar a rede global de pagamentos à crescente utilização da Inteligência Artificial nos processos comerciais. A empresa pretende posicionar-se como a infraestrutura de confiança que permitirá aos agentes digitais realizar transacções de forma segura, auditável e escalável.

A companhia está também a desenvolver novas ferramentas para este ecossistema, incluindo sistemas de avaliação de agentes, mecanismos avançados de detecção de fraude baseados em IA e directórios de participantes verificados para reduzir riscos de segurança.

Para a OpenAI, a parceria representa uma expansão significativa das capacidades dos seus modelos de Inteligência Artificial. Até agora, plataformas como o ChatGPT eram utilizadas sobretudo para fornecer informações, gerar conteúdos e apoiar a tomada de decisões. Com a integração dos sistemas de pagamento, a IA passa a poder executar acções concretas no mundo económico, aproximando-se do conceito de assistente digital universal.

As duas empresas anunciaram igualmente que irão explorar aplicações empresariais, incluindo fluxos de trabalho automatizados, soluções para programadores e ferramentas apoiadas pelo Codex, o sistema de desenvolvimento assistido por IA da OpenAI.

A parceria entre Visa e OpenAI não surge isoladamente. Nos últimos meses, várias empresas tecnológicas e financeiras anunciaram projectos semelhantes para permitir que sistemas de Inteligência Artificial realizem pagamentos e operações comerciais. Iniciativas envolvendo redes de pagamentos, plataformas de comércio electrónico e empresas financeiras apontam para uma tendência crescente de automatização das decisões de compra.

Especialistas consideram que o comércio agêntico poderá representar uma evolução comparável à transição do comércio físico para o comércio electrónico ou à popularização dos pagamentos móveis. A principal promessa é a redução do tempo e do esforço exigidos aos consumidores para encontrar produtos, comparar ofertas e concluir transacções.

Apesar do entusiasmo, o avanço do comércio agêntico levanta preocupações relevantes. Investigadores alertam para desafios relacionados com segurança, privacidade, responsabilização e manipulação dos sistemas de IA. Estudos recentes apontam que agentes capazes de efectuar pagamentos podem tornar-se alvos de ataques informáticos ou ser influenciados por informações enganosas durante o processo de decisão.

Outra questão prende-se com a confiança dos consumidores. Embora as empresas garantam que existirão mecanismos de controlo e supervisão humana, muitos utilizadores poderão demonstrar resistência inicial em delegar decisões financeiras a sistemas automatizados.

A parceria entre Visa e OpenAI sugere que a Inteligência Artificial está a evoluir de uma ferramenta de assistência para uma tecnologia capaz de participar directamente na economia. Se a adopção ocorrer conforme previsto, os consumidores poderão, num futuro próximo, deixar de navegar manualmente por dezenas de páginas de produtos e passar a confiar essa tarefa a agentes digitais que pesquisam, negociam e compram em seu nome.

O sucesso desta transformação dependerá, contudo, da capacidade das empresas em garantir segurança, transparência e confiança. Afinal, o desafio já não é apenas fazer com que a Inteligência Artificial pense como um assistente humano, mas também assegurar que actue de forma responsável quando o dinheiro estiver em jogo.

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