Resumo
O aumento do consumo de drogas em Moçambique, especialmente entre os jovens, está a tornar-se um problema social e de saúde pública preocupante, exigindo respostas mais abrangentes. Em 2025, as unidades sanitárias atenderam 32.281 pessoas com perturbações mentais devido ao consumo de álcool e drogas, representando um aumento de 38% em relação ao ano anterior. A cidade de Maputo é o principal foco da toxicodependência no país, seguida por outras regiões como a Província de Maputo, Manica, Sofala e Nampula. A situação é marcada por histórias de exclusão, sofrimento e abandono, com muitos dependentes a enfrentarem medo, preconceito e discriminação. A resposta a este problema deve ir para além da repressão policial, incluindo políticas de prevenção, tratamento e reinserção social, com reforço dos serviços de saúde mental e campanhas de sensibilização nas escolas e comunidades.
Nas ruas, nos bairros e até nas unidades sanitárias, os sinais do aumento do consumo de drogas em Moçambique tornam-se cada vez mais evidentes. O fenómeno, que afecta sobretudo a juventude, já não pode ser visto apenas como uma questão de segurança, mas como um problema social e de saúde pública que exige respostas mais abrangentes e eficazes.
Dados do Gabinete Central de Prevenção e Combate à Droga mostram que, somente em 2025, as unidades sanitárias atenderam 32.281 pessoas com perturbações mentais e comportamentais associadas ao consumo de álcool e drogas como canábis, heroína e cocaína. O número representa um aumento de 38% em relação aos 23.412 casos registados em 2024, um crescimento que demonstra que o fenómeno está longe de ser controlado.
A dimensão do problema também pode ser observada através das apreensões realizadas pelas autoridades, que totalizaram 4,4 toneladas de diversas drogas ao longo de 2025. Embora estes números revelem algum esforço no combate ao tráfico, também levantam questões sobre a quantidade de substâncias ilícitas que continuam a circular no território nacional e a alimentar o consumo, sobretudo entre os jovens. A Cidade de Maputo surge como o principal foco da toxicodependência em Moçambique, concentrando cerca de 48,5% de todos os casos tratados no país. A seguir aparecem a Província de Maputo, Manica, Sofala, com destaque para a cidade da Beira, e Nampula. Estes dados revelam que o problema não está limitado à capital, mas espalha-se por várias regiões, assumindo contornos cada vez mais preocupantes.
Entretanto, por detrás das estatísticas existem histórias humanas marcadas pela exclusão, pelo sofrimento e pelo abandono. Em muitos casos, as pessoas que desenvolvem dependência química são vistas apenas como criminosas ou indivíduos sem solução, quando na verdade necessitam de apoio médico, psicológico e social. A toxicodependência continua associada ao medo, ao preconceito e à discriminação, factores que empurram muitos dependentes para o silêncio e dificultam os processos de recuperação e reinserção social. Trata-se de um grupo altamente marginalizado e frequentemente rejeitado pelas próprias famílias.
A realidade observada em vários bairros da Cidade de Maputo demonstra a gravidade da situação. É cada vez mais comum encontrar jovens consumidos pela dependência química, muitos dos quais acabam por entrar em circuitos de criminalidade para sustentar o vício. Em diversas avenidas e zonas de paragem de transportes públicos registam-se casos frequentes de roubos de bolsas, telemóveis, carteiras e outros bens, criando um sentimento de insegurança entre os cidadãos.
Embora seja incorreto associar toda a criminalidade ao consumo de drogas, é inegável que existe uma relação entre a dependência severa, a exclusão social e determinadas práticas criminosas motivadas pela necessidade de obtenção de recursos para alimentar o consumo.
Perante este cenário, torna-se evidente que a resposta não pode limitar-se à repressão policial ou apenas às apreensões de droga. É necessária uma abordagem mais ampla, capaz de equilibrar o combate ao tráfico com políticas eficazes de prevenção, tratamento e reinserção social. Sendo necessário reforçar os serviços de saúde mental e investir em campanhas de sensibilização nas escolas e comunidades.



