Resumo
Kansas City vai instalar câmaras com reconhecimento facial em parte dos seus autocarros públicos para identificar passageiros banidos ou desaparecidos. A Autoridade de Transportes avançou com o projeto, equipando os autocarros com câmaras que comparam os rostos em tempo real com listas de alertas. A empresa responsável, SafeSpace Global, assegura que o sistema não grava continuamente e descarta os dados faciais sem correspondência imediata. Apesar das garantias, organizações de defesa das liberdades civis mostram-se preocupadas com a possível expansão do uso do reconhecimento facial. O programa, inicialmente previsto para a primavera, deverá arrancar ainda este ano, abrangendo até 30 veículos.
Uma cidade norte-americana prepara-se para instalar câmaras com reconhecimento facial em parte da sua frota de autocarros públicos, com o objetivo de identificar passageiros banidos ou pessoas desaparecidas.
A Autoridade de Transportes de Kansas City avançou com um projeto que pode transformar-se numa referência. A ideia é equipar uma parte dos autocarros com câmaras capazes de comparar, em tempo real, os rostos dos passageiros com listas de pessoas desaparecidas, indivíduos banidos do sistema de transportes ou nomes sinalizados pelas autoridades.
Na perspetiva de Tyler Means, responsável por mobilidade e estratégia da entidade gestora dos transportes, citado pela , o projeto não terá impacto significativo na privacidade dos passageiros, recordando que os autocarros já têm câmaras há anos e que, com o tempo, a novidade deixará de ser estranha aos olhos do público.
A empresa escolhida para gerir o sistema é a SafeSpace Global, que já utiliza reconhecimento facial em lares de idosos, prisões e escolas. No entanto, nunca tinha trabalhado no setor dos transportes públicos.
A SafeSpace Global já utilizava reconhecimento facial em lares de idosos, prisões e escolas.
De acordo com o diretor-executivo da empresa, Scott Boruff, o sistema não grava continuamente: as câmaras analisam o rosto, comparam-no com a lista de alertas e, caso não haja correspondência, os dados faciais são descartados de imediato.
As imagens normais de vídeo, por sua vez, ficam guardadas num servidor local durante até cinco anos.
Apesar das garantias da empresa e da autarquia, organizações de defesa das liberdades civis mostram-se preocupadas.
Na opinião de Jay Stanley, analista da American Civil Liberties Union (ACLU), aplicar reconhecimento facial em câmaras apontadas a espaços públicos é uma linha que, durante mais de duas décadas, praticamente nunca tinha sido ultrapassada nos Estados Unidos.
Pessoas à espera do autocarro no centro de Kansas City. Crédito: Charlie Riedel/
O receio principal não é tanto o uso inicial, restrito a uma lista de alertas relativamente reduzida, mas aquilo em que o sistema pode vir a transformar-se.
Para Stanley, é praticamente impossível garantir que o âmbito de um projeto de videovigilância com Inteligência Artificial se mantenha limitado ao longo do tempo, havendo sempre tendência para expandir o seu uso.
Defensores do projeto argumentam que as câmaras de segurança já estão por todo o lado, incluindo nos próprios autocarros, além de que várias forças policiais já recorrem a reconhecimento facial para identificar suspeitos a partir de imagens de videovigilância.
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p id="caption-attachment-1125168" class="wp-caption-text">Autocarros à espera dos passageiros em Kansas City. Crédito: Charlie Riedel/
O calendário inicial previa que as câmaras estivessem operacionais ainda na primavera, a tempo dos jogos do Mundial 2026 que Kansas City começou a receber esta semana.
Apesar do atraso, por razões técnicas e financeiras, Tyler Means garante que o programa deverá arrancar ainda este ano, e com uma escala maior do que a inicialmente prevista: ao invés de nove autocarros-piloto, a ideia é equipar até 30 veículos.
Do lado da SafeSpace Global, Scott Boruff prevê que serão necessários cerca de três a quatro meses para adaptar o software às necessidades específicas da cidade.
Fonte: Pplware


