Gianni Infantino terá oferecido a Marrocos a final do Mundial 2030, sediado também por Portugal e Espanha, em troca de apoio à recandidatura eleitoral, revela o Times.
De acordo com a publicação britânica, o presidente da FIFA estará a persuadir algumas federações – além de se agarrar ao governo norte-americano – depois de Sérvia, Suécia e País de Gales recuarem no apoio à recandidatura, alinhando com Alemanha, Roménia e Noruega.
De recordar que Infantino agendou uma reunião de emergência com a cúpula da FIFA para esta quarta-feira, em Marrocos. No final, o dirigente suíço não falou aos jornalistas. As eleições da FIFA realizam-se em março de 2027, em Rabat, capital de Marrocos.
Entretanto, a FIFA desmentiu que Infantino tenha oferecido a Marrocos a final do Mundial 2030.
Por sua vez, o Times destaca a importância do apoio marroquino para Infantino, que aponta ao quarto e último mandato e precisa de, pelo menos, 106 votos das 211 federações no próximo Congresso da FIFA. Marrocos tem sido um aliado desde 2016 e deseja acolher a final de 2030 no Estádio Hassan II, a ser construído em Casablanca e com capacidade para 115 mil pessoas.
Antes de se fixar em Portugal, Espanha e Marrocos, o Mundial 2030 vai celebrar o centenário da prova com três jogos entre Argentina, Paraguai e Uruguai, anfitrião e vencedor da edição inaugural (1930).
Na origem deste turbilhão está o plano milionário de Infantino para vender parte dos direitos do Mundial a privados. Entretanto, a UEFA ainda pondera avançar com uma ação judicial contra a FIFA, a CONCACAF retirou o apoio à recandidatura do ainda presidente e a estrutura interna ruiu com sucessivas críticas de dirigentes escolhidos por Infantino.
A Sport Integrity Global Alliance (SIGA) considerou que «a confiança no desporto exige escrutínio independente», referindo-se à crise na FIFA.
«As questões levantadas são graves. Tocam no âmago da responsabilização institucional, da transparência, da consulta e da confiança. Embora o foco imediato seja a FIFA, as questões em causa estendem-se a todo o sistema do futebol e ao ecossistema mais vasto do desporto», lê-se em comunicado.
A SIGA, cujo diretor-executivo é o português Emanuel Macedo de Medeiros, apela à FIFA para que «realize voluntariamente uma revisão independente dos seus processos de governação e de tomada de decisão, como demonstração do compromisso com os mais elevados padrões de governação, transparência e prestação de contas».
Os participantes na reunião da SIGA apelam a que o escrutínio independente e a certificação se tornem a norma no desporto em geral. Segundo a instituição, este princípio deve aplicar-se à FIFA, às confederações continentais, às federações nacionais de futebol, às ligas, aos clubes e a todas as outras organizações desportivas.
Em contraponto com o que observam na FIFA, os participantes reafirmaram a abordagem «independente, imparcial e cooperativa» da SIGA, num percurso de «ações que continuarão a ser pautadas pela integridade no desporto, pela boa governação e pela prestação de contas».
A SIGA entende que os seus Padrões Universais de Integridade no Desporto constituiriam «a referência para a revisão». Considera ainda que a implementação de quaisquer reformas daí resultantes poderia posteriormente ser avaliada e certificada de forma livre através do Sistema Independente de Classificação e Verificação da SIGA (SIRVS).
Fonte: CNN Portugal



