Resumo
Portugal celebra os 20 anos da Batalha de Nuremberga, um jogo memorável no Mundial de 2006 contra os Países Baixos. Maniche, protagonista do jogo, recorda a agressividade neerlandesa, com entradas duras em Cristiano Ronaldo. O golo de Portugal foi marcado cedo por Maniche, que também relembra o seu golo na meia-final do Euro 2004. O árbitro russo Valentin Ivanov foi criticado por condicionar a partida com cartões. Ronaldo saiu lesionado, e Costinha foi expulso, deixando Portugal com 10 jogadores. Figo escapou a uma expulsão após uma cabeçada em Van Bommel. Portugal venceu por 1-0, avançando para os quartos de final.
O encontro entre Portugal e Países Baixos era a contar para os oitavos de final do Mundial de 2006. A seleção nacional teve uma fase de grupos tranquila, a única que alguma vez concluiu com três vitórias durante um Mundial, e entrou para a partida com algum favoritismo. Do outro lado, uma seleção com Van Persie, Robben, Sneijder e Van der Sar, entre outros, que pretendia vingar a eliminação nas meias-finais do Euro 2004 aos pés de Portugal.
Para recordar este encontro, a CNN Portugal falou com Maniche, um dos grandes protagonistas da partida, que começou muito dura do lado neerlandês. Aos 10 minutos, os Países Baixos já deviam estar reduzidos a nove após duas duras entradas de Mark van Bommel e Khalid Boulahrouz sobre Cristiano Ronaldo. O então 17 da seleção nacional ficou bastante afetado fisicamente, principalmente pela “patada” de Boulahrouz. “Não gosto de dizer isto porque acho que um jogador não entra para um campo para prejudicar um colega de profissão, mas foi uma entrada muito dura, para não dizer outra coisa. Muito maldosa, era vermelho direto”, afirma Maniche
O golo de Portugal, o único da partida, surgiu relativamente cedo. Cruzamento de Deco para a área, Pauleta toca para Maniche, que tirou Phillip Cocu da frente e atirou de pé direito para a baliza. “O Van der Sar não me pode ver à frente”, diz o antigo médio, comentador da CNN Portugal, entre risos. Maniche foi também o autor de um dos golos – um grande golo por sinal – daquela meia-final do Euro 2004. “São dois jogos que ficaram para a história. Obviamente ser decisivo é sempre importante e não se esquece”, afirma.
Por esta altura, o festival de cartões estava a dar os primeiros passos. O árbitro russo Valentin Ivanov era bem conhecido de Maniche, e também de Costinha, uma vez que os dois tinham jogado pelo Dínamo de Moscovo na época anterior. Antes da partida, Luiz Felipe Scolari fez um alerta. “Fomos avisados de que haveria alguma vontade de condicionar os árbitros da parte dos Países Baixos, uma vez que os responsáveis da estrutura deles estavam consistentemente a falar com a equipa de arbitragem”, recorda.
Após o golo de Maniche, o plano neerlandês ficou estragado, mas uma parte ainda foi cumprida na primeira parte. Aos 34 minutos, Cristiano Ronaldo sai de campo em lágrimas, com o joelho enfaixado. “Ele era um jogador fundamental, estava numa forma fantástica. Queria continuar em campo, mas era impensável com a perna naquele estado”.
Antes do intervalo, novo contratempo para Portugal. Costinha intercetou um passe com o braço e foi expulso. Portugal ia para o segundo tempo a jogar com menos um.
Foi na segunda parte que as coisas descambaram definitivamente. Aos 60 minutos, os jogadores envolvem-se numa escaramuça. Figo dá uma cabeçada em Van Bommel. Por sorte, levou apenas amarelo. Portugal estava a igualar os níveis de agressividade dos neerlandeses, ou pelo menos parecia. Três minutos depois, Figo passou de agressor a agredido e levou uma cotovelada de Boulahrouz. Segundo amarelo e vermelho para o defesa adversário. Ivanov já tinha perdido o controlo da partida.
“O árbitro foi considerado o pior daquele Mundial. Não teve a capacidade para lidar com um jogo daquela dimensão”, afirma Maniche, que diz que o árbitro foi um dos responsáveis pelo descontrolo em campo. “Nós jogadores também não ajudámos o árbitro é certo, mas lá está, o árbitro tem de impor a sua autoridade. [Ivanov] perdeu o controlo do jogo e nós começámos a esticar até onde ele deixava. Foi um jogo para homens, não para meninos”.
Em termos de jogo jogado, Portugal foi tendo as suas oportunidades para matar o jogo, afirma o comentador da CNN Portugal. “A partir do golo, os Países Baixos jogaram mais com o coração e nós com a cabeça. Estávamos em vantagem, sabíamos que íamos sofrer porque eles tinham qualidade, mas soubemos sofrer. Estávamos preparados para esse momento do jogo também.”
O terceiro vermelho foi para Deco. O médio português levou dois amarelos em cinco minutos, o segundo de forma algo desnecessária, e foi expulso aos 78 minutos. A última expulsão foi de Giovanni van Bronckhorst, já nos descontos. Portugal avançou para os quartos de final.
Para Maniche, esse jogo foi um dos melhores daquele Mundial e todos os jogadores portugueses mereceram os parabéns. “Mesmo os que entraram durante o jogo souberam interpretar exatamente aquilo que estava a passar no próprio jogo”, elogia.
A nível pessoal, o comentador da CNN Portugal coloca esta partida entre as duas melhores da carreira. A outra é a segunda mão dos quartos de final da Liga dos Campeões que o FC Porto venceu em 2004, frente ao Lyon em França, na qual marcou dois golos decisivos para enviar os dragões para as meias-finais.
Fonte: CNN Portugal






