InícioEconomiaAgência da ONU destaca potencial para a economia da chamada Terceira Idade

Agência da ONU destaca potencial para a economia da chamada Terceira Idade

Resumo

A Comissão Económica das Nações Unidas para a Europa destaca, num novo relatório, que o envelhecimento demográfico não é um fardo, mas sim uma oportunidade. Os idosos contribuem significativamente para a economia através do trabalho, voluntariado e cuidados não remunerados. A valorização da "economia prateada" é essencial para o sucesso das economias modernas. No entanto, o declínio da taxa de fertilidade levanta preocupações sobre a diminuição da força de trabalho no futuro. Para enfrentar este desafio, é crucial investir na aprendizagem contínua, reter talento e combater o preconceito relacionado com a idade. A mudança de mentalidades em relação ao envelhecimento é fundamental para garantir a sustentabilidade a longo prazo.

Com mais longevidade e melhores condições de saúde, a antiga crença de que o envelhecimento demográfico é um “fardo” ou uma “bomba-relógio” prestes a destruir as economias está completamente defasada da realidade. 

A conclusão é da Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa, Unece, em novo relatório defendendo que longe de estarem à margem da sociedade, os cidadãos mais velhos são motores invisíveis do progresso. 

Força de Trabalho em Transformação

Os idosos geram centenas de bilhões de dólares anualmente por meio do trabalho formal, do voluntariado e da prestação de cuidados não remunerados, destaca a Nota Síntese “Aproveitar o potencial de uma mão de obra envelhecida”.

De acordo com a publicação, ignorar o valor da chamada “economia prateada” é tanto um desperdício social quanto um grave erro estratégico.

Uma senhora idosa senta-se numa rua molhada na Indonésia, vendendo cestas com pétalas de flores vermelhas e brancas vibrantes.
ONU/ Andrea Brizzi
Sucesso das economias modernas e a manutenção da qualidade de vida dependem diretamente da valorização da força de trabalho mais experiente

Os dados revelam uma mudança profunda desde o ano 2000: a proporção de trabalhadores entre 55 e 64 anos dobrou, representando atualmente cerca de um quarto de toda a população ativa na região da Unece.

No entanto, o declínio das taxas de fertilidade acende um sinal de alerta porque em alguns países, a força de trabalho total poderá encolher mais de 10% até 2050.

Produtividade e capacidade de inovação 

Essa retração coloca em risco a produtividade e a capacidade de inovação além de receitas fiscais dos governos e a sustentabilidade a longo prazo dos sistemas de previdência social.

Para superar a situação, o recurso seria desbloquear o potencial inexplorado do mercado, adotando uma nova visão sobre as carreiras longas, baseada em três pilares estratégicos.

O primeiro passo seria preparar a mão de obra por meio da aprendizagem contínua. Com a revolução tecnológica redefinindo o mercado de trabalho em tempo recorde ideia é que a idade não se torne um entrave e a educação deixar de ser vista como um privilégio exclusivo da juventude.

Nesse contexto, a estratégia é promover investimentos robustos no desenvolvimento de habilidades digitais e na requalificação profissional para todas as faixas etárias, garantindo que os trabalhadores seniores se mantenham inovadores e adaptáveis.

A segunda frente seria atuar para reter o talento e combater o etarismo. Atualmente, muitos profissionais abandonam mais cedo o mercado de trabalho, não por escolha, mas por falta de condições adequadas ou devido a preconceitos relacionados à idade.

Proteção legal contra a discriminação

A sugestão é eliminar os incentivos financeiros que empurram os profissionais para a aposentadoria antecipada. Em paralelo, é urgente reforçar a proteção legal contra a discriminação por idade, incentivar práticas de contratação inclusivas e criar ambientes de trabalho flexíveis e adaptados.

Uma senhora idosa, vestida com um vestido de bolinhas e um lenço na cabeça, passa de bicicleta por uma porta de madeira desgastada.
Banco Mundial/Miso Lisanin
Mudar a narrativa global sobre o envelhecimento é o primeiro passo

Por último o relatório recomenda reintegrar quem deseja voltar à atividade. Uma porcentagem cada vez maior de pessoas em idade de aposentadoria deseja continuar ativa para manter o estímulo mental, o sentido de propósito e a conexão social. A Unece quer que a legislação e a burocracia não sejam barreiras.

A estratégia recomenda criar modelos flexíveis de trabalho, como jornadas de meio período, e rever os sistemas tributários para que o trabalho pós-aposentadoria não seja financeiramente penalizado. 

Além disso, propõe-se a criação de plataformas de emprego dedicadas a cruzar a vasta experiência desses talentos com as necessidades reais das empresas.

Economias fortes e futuro inclusivo

Para a Comissão da ONU na Europa, o sucesso das economias modernas e a manutenção da qualidade de vida dependem diretamente da valorização da força de trabalho mais experiente.

Mudar a narrativa global sobre o envelhecimento é o primeiro passo. 

O segundo é alinhar essa transformação por meio de uma ação envolvendo governos, empregadores, sindicatos e sociedade civil. 

Ao elaborar políticas baseadas em evidências que valorizem a experiência e a aprendizagem ao longo da vida, os países não estarão apenas mitigando uma crise de mão de obra. Eles construirão um futuro mais próspero, sustentável e inclusivo para todas as gerações.

Fonte: ONU

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