InícioRevistaEconomiaMOTA-ENGIL ENTRA NOS 80 ANOS E PREPARA NOVA FASE EM MOÇAMBIQUE

MOTA-ENGIL ENTRA NOS 80 ANOS E PREPARA NOVA FASE EM MOÇAMBIQUE

Por: Alfredo Júnior

A Mota-Engil chega aos 80 anos de actividade com uma nova estratégia para Moçambique, onde está presente desde 1991, procurando posicionar-se não apenas como uma empresa de construção, mas como um parceiro em áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do país, nomeadamente energia, infra-estruturas, logística, indústria e formação de competências nacionais.

Fundado em 1946, o grupo português transformou-se, ao longo de oito décadas, numa multinacional com presença em diferentes mercados de África, Europa e América Latina. Em Moçambique, a sua trajectória acompanhou algumas das principais transformações económicas do país, desde grandes obras de infra-estrutura e projectos ferroviários até à expansão da mineração e, mais recentemente, aos investimentos ligados ao gás natural. A própria empresa identifica a sua presença moçambicana como uma das mais antigas da sua operação africana e destaca projectos como a Linha do Sena, a estrada Milange-Mocuba, a Ponte Base de Kassuende, o projecto mineiro de Moatize e infra-estruturas associadas ao sector de Oil & Gas.

A nova fase ocorre num momento em que Moçambique procura transformar os seus recursos naturais em crescimento económico mais abrangente. O relatório anual da Mota-Engil relativo a 2025 reconhece que a economia moçambicana continua fortemente dependente do sector extractivo, mas identifica perspectivas de recuperação associadas à retoma dos grandes projectos de gás natural liquefeito, ao investimento em infra-estruturas e ao desenvolvimento de transportes, água, saneamento e energias renováveis.

É neste contexto que a energia surge como uma das áreas com maior potencial. A Mota-Engil já está envolvida em projectos ligados ao Oil & Gas no país. Entre os contratos divulgados pelo grupo está um projecto de 51 milhões de dólares para a construção de 12 edifícios destinados às actividades de uma futura refinaria integrada num projecto de Oil & Gas.

Mas a aposta da empresa não se limita ao gás. A estratégia global para 2026–2030, denominada Focus 2030, coloca entre as prioridades o crescimento, a diversificação e a disciplina financeira, incluindo a expansão em áreas como energia, ambiente, concessões de infra-estruturas, recursos naturais e serviços industriais. O grupo pretende, desta forma, reduzir a dependência do modelo tradicional de construção e aumentar a participação em negócios capazes de gerar valor durante períodos mais longos.

Para Moçambique, esta mudança poderá ser particularmente relevante. O país possui uma extensa rede de corredores de transporte e uma localização estratégica entre o interior da África Austral e os portos do Índico. A existência de recursos minerais, projectos energéticos e zonas industriais cria uma procura crescente por estradas, ferrovias, terminais logísticos, energia e serviços especializados.

A experiência acumulada pela Mota-Engil no país inclui precisamente algumas dessas áreas. A empresa apresenta no seu portefólio a Linha Ferroviária do Sena, projectos rodoviários e concessões, além de actividades relacionadas com mineração e Oil & Gas. A sua estrutura moçambicana inclui ainda a Lineas | Estradas do Zambeze e empresas ligadas ao ambiente e à gestão de resíduos.

Contudo, a questão mais importante para Moçambique talvez não seja quantos grandes projectos a empresa poderá executar, mas quanto valor desses projectos permanecerá dentro da economia nacional.

A experiência dos grandes investimentos extractivos mostra que a construção de infra-estruturas pode gerar emprego e actividade económica, mas os benefícios de longo prazo dependem da capacidade de criar fornecedores locais, formar mão-de-obra especializada e desenvolver empresas nacionais capazes de participar nas cadeias de fornecimento.

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