Resumo
Paulo Portas criticou a proposta de André Ventura de baixar a idade da reforma em Portugal, referindo-se a um exemplo alemão em que uma comissão de especialistas fixou a idade de reforma semelhante à portuguesa. O comentador alertou para os problemas de financiamento que surgem ao baixar a idade da reforma enquanto a esperança de vida aumenta. Portas também abordou a revisão estatística da população portuguesa, considerando-a um erro significativo que afeta o PIB per capita. Sobre a situação no Estreito de Ormuz, defendeu a necessidade de diálogo entre os EUA e o Irão para evitar hostilidades. Em relação ao Brexit, Portas afirmou que a saída do Reino Unido da União Europeia prejudicou o Partido Conservador e pode afetar o Partido Trabalhista, criticando a falta de representação para quem considera o Brexit um erro.
Paulo Portas recorreu a um exemplo alemão para responder à intenção do presidente do Chega, André Ventura, de baixar a idade da reforma – proposta em que tem insistido nas últimas semanas.
“Em Portugal, a fórmula da idade da reforma é consensual. Deixem-na estar. Houve aí um líder político que decidiu dizer ‘eu vou mudar isto e acabar com um consenso que tem anos e anos e anos’”, lembrou o comentador da TVI (do mesmo grupo da CNN Portugal no seu espaço de comentário “Global”.
Portas explicou que a Alemanha nomeou uma comissão de 13 especialistas, “de todas as orientações políticas”, que acabaram por fixar uma idade de reforma “igualzinha à portuguesa”.
“É esse o problema de estar a fazer demagogia com estes assuntos, porque se se baixa a idade da reforma enquanto aumenta a esperança de vida, vamos ter um problema de financiamento. Há muito mais anos de pensões para pagar - e ainda bem, porque as pessoas vivem mais tempo, a questão está em saber se vivem com qualidade”, argumentou Portas.
O “Global” desta semana começou pela análise da transformação estrutural da demografia portuguesa, depois do Instituto Nacional de Estatística ter revisto a população nacional de 10,7 milhões para 11,4 milhões.
Para Paulo Portas, trata-se de “um erro estatístico que não é um erro menor”.
“Eu acho que os erros não devem morrer solteiros e que se deve averiguar porque é que esse erro foi possível do ponto de vista técnico, porque pode ter induzido os decisores políticos em alguma efabulação ou tê-los convencido de uma narrativa que não era verdadeira”, insistiu.
Uma das consequências está no facto de fazer “descer o PIB per capita”, notou.
Tempo também para falar da situação no Estreito de Ormuz, com Portas a considerar que tanto EUA como Irão “erraram nesta matéria”.
“Se querem manter o ambiente de conversação, têm que rapidamente falar menos em público, reagir menos em público, não regressar a hostilidades e tentar resolver diplomaticamente as diferenças”, aconselhou.
Para Portas, há um “lado bom”: a descida do preço do petróleo, que deverá confirmar-se nos mercados.
Num momento em que se assinalam 10 anos da saída do Reino Unido da União Europeia, o comentador considerou que o Braxit “deu cabo do Partido Conservador” e que “só falta agora destruir o Partido Trabalhista”.
“O problema é que os que acham que o Brexit estava certo têm em quem os represente. Os que acham que o Brexit foi um erro não têm quem os represente, porque infelizmente a medida da coragem política no Reino Unido, como em muitos outros sítios do Ocidente, está reduzida a mínimos”, afirmou.
“O sistema político inglês, que era o mais estável, está desfeito”, reforçou.
Fonte: TVI






