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Carro elétrico que carrega em 9 minutos sem recorrer ao carregador mais potente

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A Shell apresentou um protótipo de um carro elétrico que recarrega dos 10 aos 80% em 9 minutos e 54 segundos. A chave está no facto de não necessitar de uma estação com mais de 300 kW: consegue-o com 175 kW, uma potência muito mais comum na rede pública.

A promessa de carregar um carro elétrico no tempo que se demora a beber um café tem sido repetida durante anos, quase sempre com uma condição: é necessário um carregador de potência descomunal, que praticamente não existe na rede real. A Shell acaba de apresentar um protótipo que inverte esta lógica.

Chama-se Triple 10 Challenge e é um concept car funcional apresentado em Londres. O dado mais impressionante é que passa dos 10 aos 80% de carga em 9 minutos e 54 segundos, ficando abaixo da barreira dos dez minutos. Mas o mais interessante não é o número, é a forma como o consegue.

O nome faz referência a três objetivos que o protótipo procura atingir em simultâneo:

Daí o “triplo dez”.

Não se trata de um carro elétrico pensado para ser comercializado, mas sim de uma demonstração de uma filosofia de conceção: em vez de apostar em autonomias muito elevadas através de baterias gigantes, a Shell propõe maximizar a eficiência, reduzir o peso e gerir melhor o calor para permitir carregamentos rápidos sem depender de infraestruturas extremas.

É aqui que reside a verdadeira novidade. O protótipo consegue estes tempos utilizando um carregador de 175 kW, uma potência muito mais comum na rede pública do que as estações com mais de 300 kW normalmente exigidas para alcançar tempos semelhantes e que continuam a ser escassas em grande parte da Europa.

Na prática, isto significa que o automóvel recupera até 24 quilómetros de autonomia por cada minuto ligado ao carregador, face aos cerca de 13 quilómetros por minuto que muitos elétricos atuais conseguem com essa mesma potência. É quase o dobro sem necessidade de recorrer a uma estação mais potente.

O segredo está na gestão térmica. O carregamento ultrarrápido gera muito calor nas células da bateria, sendo esse o verdadeiro fator limitador. O protótipo utiliza um fluido dielétrico, apresentado pela Shell como .

Como este fluido não conduz eletricidade, permite a refrigeração direta por imersão da bateria e a refrigeração indireta do motor e da eletrónica de potência, integradas numa arquitetura térmica simplificada.

O projeto não se limita aos tempos de carregamento. A Shell garante que o conjunto melhora a eficiência energética em mais de 30% quando comparado com muitos veículos elétricos atuais. O consumo anunciado é particularmente reduzido: os 10 kWh/100 km ficam bastante abaixo da média dos automóveis elétricos atuais, que ronda os 16 a 18 kWh/100 km, ultrapassando frequentemente os 20 kWh/100 km nos modelos maiores e mais pesados.

A empresa acrescenta ainda que a simplificação do conjunto de baterias poderá permitir reduzir o seu custo em cerca de 25%.

A isto junta-se a componente ambiental. A Shell estima uma pegada de carbono de cerca de 10 toneladas ao longo de todo o ciclo de vida do veículo, aproximadamente 50% inferior à de muitos elétricos atualmente vendidos na Europa.

Trata-se, no entanto, de uma estimativa do próprio fabricante, baseada em pressupostos como o design leve, a utilização de materiais recicláveis e o carregamento exclusivamente com eletricidade proveniente de fontes 100% renováveis.

Convém moderar as expectativas. O Triple 10 Challenge é uma prova de conceito, não um modelo que chegará aos concessionários. A Shell não tem intenção de o produzir em série.

O seu objetivo é desenvolver uma base tecnológica que possa vir a ser adotada por outros fabricantes em futuros veículos elétricos produzidos em grande escala.

 

Fonte: Pplware

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