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Onda de calor: por que motivo os especialistas estão preocupados com as noites?

Resumo

· Portugal atravessa uma onda de calor extrema, com vários distritos sob aviso vermelho e temperaturas a ultrapassar os 40 °C em várias regiões Neste cenário, o alerta feito por especialistas do outro lado do oceano pode ser-nos importante: as noites não estão a arrefecer o suficiente para o corpo recuperar Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o país está sob influência de um anticiclone estacionário que bloqueia a habitual influência marítima e permite a entrada de uma massa de ar quente e seco vinda de África O resultado têm sido dias entre os 35 e os 41 °C, mas também noites cada vez mais quentes, com mínimas entre os 24 e os 28 °C em boa parte do território, deixando o país sob condições generalizadas das chamadas noites tropicais Do outro lado do Atlântico, o cenário é semelhante Segundo reporta a , Ashley Ward, diretora do Heat Policy Innovation Hub da Universidade Duke, descreve temperaturas noturnas que nalguns casos nunca descem dos 24-27 °C, um fenómeno que classifica como muito preocupante Segundo Ward, sem esse arrefecimento noturno, o corpo humano perde a oportunidade de recuperar do calor acumulado durante o dia, tal como plantas, animais e infraestruturas energéticas Os dados confirmam que a subida das temperaturas noturnas não é um episódio isolado, mas uma tendência A dos Estados Unidos nota que, no país norte-americano, as temperaturas noturnas estão a subir mais depressa do que as diurnas em quase todo o território, com o número de noites que nunca descem dos 21 °C a aumentar de forma generalizada Em Portugal, o retrato não é muito diferente Segundo o IPMA, já ocorreram este ano 59 dias em onda de calor, e a tendência das últimas décadas tem sido de agravamento: 2022 continua a deter o recorde, com mais de 90 dias de onda de calor, seguido de 80 dias em 2023 e 74 em 2024 De acordo com Miguel Miranda, antigo presidente do IPMA, citado pela CNN Portugal, a Europa está a aquecer mais depressa do que a média global Por sua vez, o meteorologista Alex DaSilva, da AccuWeather, explicou o mecanismo por detrás deste fenómeno: a atmosfera está a reter cada vez mais calor durante a noite, fazendo com que o dia seguinte comece já a partir de uma base mais quente A isto soma-se a maior humidade, também associada às alterações climáticas, que dificulta a evaporação do suor e, consequentemente, o arrefecimento natural do corpo, mesmo depois de trovoadas ou aguaceiros que, à partida, poderiam trazer algum alívio O professor W Larry Kenney, da Penn State University, reforça que o perigo está na combinação entre temperatura e humidade relativa: sem uma evaporação eficaz do suor, o mecanismo natural de regulação térmica do corpo perde eficácia, abrindo caminho a quadros de exaustão ou choque térmico O professor recomenda, por isso, uma exposição gradual ao calor e reforça a importância da hidratação, sobretudo antes e depois de qualquer exposição prolongada O acesso a ar condicionado é, também aqui, um fator decisivo Em Portugal, as autoridades de saúde alertam ainda que o esforço que o corpo faz para se manter fresco sobrecarrega o coração e os rins, podendo causar lesões renais agudas, além de agravar doenças cardiovasculares, respiratórias, mentais ou diabetes, sendo os idosos o grupo mais vulnerável Fonte: Pplware

Portugal atravessa uma onda de calor extrema, com vários distritos sob aviso vermelho e temperaturas a ultrapassar os 40 °C em várias regiões. Neste cenário, o alerta feito por especialistas do outro lado do oceano pode ser-nos importante: as noites não estão a arrefecer o suficiente para o corpo recuperar.

Segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), o país está sob influência de um anticiclone estacionário que bloqueia a habitual influência marítima e permite a entrada de uma massa de ar quente e seco vinda de África.

O resultado têm sido dias entre os 35 e os 41 °C, mas também noites cada vez mais quentes, com mínimas entre os 24 e os 28 °C em boa parte do território, deixando o país sob condições generalizadas das chamadas noites tropicais.

Do outro lado do Atlântico, o cenário é semelhante. Segundo reporta a , Ashley Ward, diretora do Heat Policy Innovation Hub da Universidade Duke, descreve temperaturas noturnas que nalguns casos nunca descem dos 24-27 °C, um fenómeno que classifica como muito preocupante.

Segundo Ward, sem esse arrefecimento noturno, o corpo humano perde a oportunidade de recuperar do calor acumulado durante o dia, tal como plantas, animais e infraestruturas energéticas.

Os dados confirmam que a subida das temperaturas noturnas não é um episódio isolado, mas uma tendência. A dos Estados Unidos nota que, no país norte-americano, as temperaturas noturnas estão a subir mais depressa do que as diurnas em quase todo o território, com o número de noites que nunca descem dos 21 °C a aumentar de forma generalizada.

Em Portugal, o retrato não é muito diferente. Segundo o IPMA, já ocorreram este ano 59 dias em onda de calor, e a tendência das últimas décadas tem sido de agravamento: 2022 continua a deter o recorde, com mais de 90 dias de onda de calor, seguido de 80 dias em 2023 e 74 em 2024.

De acordo com Miguel Miranda, antigo presidente do IPMA, citado pela CNN Portugal, a Europa está a aquecer mais depressa do que a média global.

Por sua vez, o meteorologista Alex DaSilva, da AccuWeather, explicou o mecanismo por detrás deste fenómeno: a atmosfera está a reter cada vez mais calor durante a noite, fazendo com que o dia seguinte comece já a partir de uma base mais quente.

A isto soma-se a maior humidade, também associada às alterações climáticas, que dificulta a evaporação do suor e, consequentemente, o arrefecimento natural do corpo, mesmo depois de trovoadas ou aguaceiros que, à partida, poderiam trazer algum alívio.

O professor W. Larry Kenney, da Penn State University, reforça que o perigo está na combinação entre temperatura e humidade relativa: sem uma evaporação eficaz do suor, o mecanismo natural de regulação térmica do corpo perde eficácia, abrindo caminho a quadros de exaustão ou choque térmico.

O professor recomenda, por isso, uma exposição gradual ao calor e reforça a importância da hidratação, sobretudo antes e depois de qualquer exposição prolongada. O acesso a ar condicionado é, também aqui, um fator decisivo.

Em Portugal, as autoridades de saúde alertam ainda que o esforço que o corpo faz para se manter fresco sobrecarrega o coração e os rins, podendo causar lesões renais agudas, além de agravar doenças cardiovasculares, respiratórias, mentais ou diabetes, sendo os idosos o grupo mais vulnerável.

 

Fonte: Pplware

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