InícioRevistaInternacionalVão fazer vítimas em lugar de tratar os feridos. Hospitais públicos de...

Vão fazer vítimas em lugar de tratar os feridos. Hospitais públicos de Lisboa, Alentejo e Algarve falham em sismos violentos

A generalidade dos hospitais públicos chumba, quase sem exceções, na resposta aos terramotos violentos que vão voltar a atingir a metade sul do território continental português. Por decisão do Tribunal Administrativo do Círculo de Lisboa, TVI, CNN Portugal e jornal SOL revelam um levantamento prospetivo de risco da FUNDEC, associação criada no seio do Instituto Superior Técnico (IST). O Ministério da Saúde recebeu o estudo há quatro anos, mas manteve-o, deliberadamente, escondido da opinião pública.

Em Lisboa, os estabelecimentos hospitalares com os maiores serviços de urgência, para crianças e adultos, integram a lista de maior risco. “O Hospital de Santa Maria (HSM) é o caso mais complexo, mais sério e mais grave que nós temos, quando pensamos no papel que desempenha na área metropolitana de Lisboa”, declara João Appleton, engenheiro especializado em reforço sísmico de edifícios. É composto por vários edifícios de grandes dimensões, separados por juntas de dilatação. A literatura científica mostra que, durante um terramoto, muitas vezes chocam uns contra os outros, originando colapsos.

Um estudo de 2004 do IST, coordenado por Carlos Sousa Oliveira, prenunciava a rotura do edifício principal no piso 3, por ser menos resistente a oscilações e perder as paredes mais depressa. O antigo investigador-coordenador do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) calcula que o reforço sísmico do edifício, para ser compatível com a atividade hospitalar, tem de ser faseado e pode demorar 20 anos. “Mas tem de ser feito, porque se não fizermos nada, daqui a 20 anos estaremos com o problema exatamente igual, e o hospital estará mais próximo de colapsar num grande sismo”, declara João Appleton.

O pediátrico Dona Estefânia (HDE) e a Maternidade Alfredo da Costa (MAC) ocupam a segunda e a quinta posições do ranking de perigosidade sísmica. O HDE é muito mais fácil de reabilitar, considerando dois fatores: está distribuído por vários edifícios, de muito menores dimensões. “Embora o HDE vá ser substituído nas suas funções essenciais, pelo futuro Hospital de Todos os Santos, vai continuar integrado na rede de unidades de saúde da área metropolitana de Lisboa. Não é aceitável que ainda o não tenhamos reabilitado, até pelo seu valor histórico e arquitetónico”, considera João Appleton. Há 15 anos, foi engenheiro responsável pela reabilitação do Palácio de São Bento, onde está instalada a Assembleia da República.

No Algarve, a situação é preocupante, com todos os hospitais públicos a exibirem debilidades: Faro, Portimão e Lagos, sendo este o pior de todos. “O Algarve é conhecido pela má qualidade da construção, com a agravante de ser a região de maior sismicidade do país, seguida do litoral alentejano”, declara o nosso entrevistado, jubilado do LNEC, que continua a exercer a profissão em projetos concretos. Vários hospitais da margem Sul do Tejo, como Montijo, Setúbal e Beja apresentam debilidades, de maior ou menor grau. Se não beneficiarem, a tempo, de obras de reforço sísmico, poderão sucumbir num grande terramoto, provocando mortos e grandes traumatizados.

 

Fonte: TVI

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, digite seu nome aqui
Por favor digite seu comentário!

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Lionel Messi regressou ao trabalho no Inter Miami

VÍDEO: Messi regressa ao trabalho em Miami depois de perder final...

0
Uma imagem de Lionel Messi com o tradicional mate na mão assinalou o regresso do craque argentino ao trabalho para o arranque da quinta...
- Advertisment -spot_img