A primeira reação de quase toda a gente ao pegar no novo Galaxy Z Fold 8 é de pura confusão. Olham para o ecrã exterior, com as proporções quase quadradas de um passaporte, e perguntam sem qualquer ironia: “Isto é um telemóvel novo ou um brinquedo?”.
A verdade é que a Samsung olhou para o que a Apple queria fazer, arriscou, e acabou por criar aquilo que podemos considerar o equivalente moderno aos antigos telemóveis arrojados da Nokia. O que é… Obviamente interessante, mesmo que não dê em nada.
Afinal, numa altura em que o mercado de dobráveis parecia ter estagnado numa fórmula cinzenta — ocupando uma margem miserável de menos de 2% das vendas globais —, a marca sul-coreana percebeu que precisava de um choque de design. O Z Fold 8 ignora a obsessão de transformar o telemóvel num mini-tablet gigante quando aberto e aposta num formato compacto, leve (apenas 201 gramas) e radicalmente diferente de tudo o que anda no mercado.

Quem tem mais de trinta anos lembra-se bem da era de ouro da Nokia. Tínhamos o N-Gage, os modelos em formato de chouriço, os ecrãs rotativos. Existiam smartphones super estranho, e a coisa vendia. Não existia esta mania de tudo ser igual, porque tem de ser, porque só há um caminho.
Sim, nem todos eram práticos, mas todos faziam as pessoas olhar e comentar. O Galaxy Z Fold 8 tenta resgatar precisamente esse espírito. Quando está fechado, cabe inteiramente na mão ou no bolso da frente das calças sem parecer um tijolo de construção civil. Quando se abre, o ecrã interno de 7,6 polegadas oferece uma proporção diferente, muito mais confortável para ler e escrever num teclado virtual decente do que num ecrã tradicional.
A estratégia da Samsung com este modelo é cristalina! Captar a atenção do público geral antes que a Apple decida finalmente entrar no segmento dos dobráveis com o falado “iPhone Ultra”.
Ao lançar um formato genuinamente curioso e focado no consumo de conteúdos de forma descontraída, a Samsung tenta fixar a fasquia da inovação antes que os rapazes de Cupertino cheguem para ficar com a glória toda.
Resta saber se este regresso às origens do design “estranho mas funcional” vai ser suficiente para convencer o consumidor comum a largar o habitual formato retangular. O formato é simpático, a usabilidade em mobilidade é incomparavelmente superior aos dobráveis gigantes anteriores, mas o preço continua a ser o grande balde de água fria.
E depois… Temos a Apple, com o mesmo exato formato, e possivelmente um Sistema Operativo mais interessante.
No fim do dia, a Samsung provou que ainda consegue arriscar quando quer, em vez de se limitar a lançar atualizações incrementais ano após ano. Se isso vai salvar o mercado dos dobráveis ou se a Apple vai chegar mais tarde e roubar os holofotes como costuma fazer… Só o tempo dirá.
Fonte: Zero Zero






