InícioRevistaTecnologiaMilhares de milhões de pessoas dependem desta empresa diariamente. E quase ninguém...

Milhares de milhões de pessoas dependem desta empresa diariamente. E quase ninguém sabe

·

Há uma gigante tecnológica que "desapareceu" das lojas há duas décadas, mas a verdade é que continua a sustentar a infraestrutura financeira e operacional do planeta. Milhares de milhões de pessoas precisam dela diariamente.

Em 2005, a IBM a sua divisão de computadores pessoais à Lenovo por 1,75 mil milhões de dólares, um movimento que muitos consideraram o fim de uma era. Mais tarde, em 2014, também o seu negócio de servidores x86.

No entanto, estas decisões foram calculadas friamente: a empresa livrou-se do hardware de consumo, onde as margens eram quase inexistentes, para se focar nos serviços, consultoria e, acima de tudo, nos seus valiosos mainframes. Com esta mudança, a tecnológica garantiu uma rentabilidade que a concorrência direta raramente conseguiu alcançar, mantendo-se no centro das operações mais críticas do planeta.

Ao contrário dos computadores domésticos, os mainframes não se destacam pela velocidade bruta em tarefas simples, mas sim pela capacidade inacreditável de processar volumes massivos de transações em simultâneo. O mais recente modelo da marca, o z17, lançado em 2025, conta com o processador Telum II, que possui IA integrada diretamente no chip.

Isto permite que modelos de deteção de fraude analisem um pagamento no exato momento em que este ocorre, sem necessidade de enviar dados para servidores externos. Com capacidade para realizar até 450 mil milhões de operações de inferência por dia, o sistema assegura que a resposta chega antes mesmo de o utilizador notar qualquer atraso.

Estima-se que cerca de 90% das transações com cartões de crédito em todo o mundo passem por sistemas da IBM. Embora algumas fontes independentes apontem para 87%, a escala permanece colossal, equivalendo a cerca de 8 biliões de dólares anuais em pagamentos e 29 mil milhões de operações em caixas multibanco.

Esta infraestrutura vital é desenhada para ser completamente invisível, funcionando continuamente sem interrupções. Trata-se de uma rede tão robusta que a sua existência só é recordada pelo público geral quando ocorre uma falha catastrófica.

A relação da IBM com a aviação comercial começou na década de 1960 com o desenvolvimento do sistema Sabre para a American Airlines. A tecnologia de controlo evoluiu para o que hoje conhecemos como z/TPF (Transaction Processing Facility), que continua ativo em várias companhias.

Embora o panorama esteja a mudar lentamente, com algumas empresas a migrarem para sistemas abertos na nuvem, as operações de maior volume e criticidade permanecem nestes sistemas antigos. O risco de uma migração mal sucedida não se traduz apenas num erro de software, mas sim no cancelamento imediato de voos à escala global.

A maioria dos grandes bancos mundiais ainda assenta a sua contabilidade em código escrito em COBOL, uma linguagem criada antes da chegada do homem à Lua. Como as regras de negócio raramente foram documentadas fora do próprio código, este funciona simultaneamente como a implementação e a especificação do sistema.

Reescrever décadas de programação sem cometer um único erro de saldo é um desafio que nenhuma instituição financeira quer arriscar. Por esta razão, a capacidade de processamento instalada nestas máquinas continua estável ou em crescimento.

Quando a IBM reportou uma quebra de 42% nas receitas da divisão IBM Z em meados de 2026, o mercado reagiu com pânico temporário. No entanto, os analistas explicam que o mercado de mainframesfunciona em ciclos de atualização de hardware.

Na verdade, o desempenho do z17 superou largamente o ciclo anterior, gerando grandes receitas adicionais em hardware e software associado. Ao abandonar a corrida pela atenção do consumidor final há duas décadas, a IBM focou-se em resolver os problemas mais complexos e silenciosos do quotidiano.

 

Leia também:

 

Fonte: Pplware

- Advertisment -spot_img

Últimas Postagens

Europeu de natação: Diogo Ribeiro bate recorde nacional dos 50 mariposa

0
Diogo Ribeiro fixou um novo recorde nacional nos 50 mariposa. Nas meias-finais da especialidade, o nadador português completou a distância em 22,68 segundos, retirando nove...
- Advertisment -spot_img