Maputo, 14 Ago (AIM) – O Fórum Mulher defende o reforço das medidas de prevenção e preparação das comunidades para enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, sobretudo as cheias e secas que afectam as mulheres camponesas e comprometem a produção agrícola e a segurança alimentar.
A directora executiva do Fórum Mulher, Nzira de Deus, disse hoje, em Maputo, que cerca de 45 mulheres provenientes de cinco distritos participam numa mesa-redonda destinada a reflectir sobre os desafios impostos pelas mudanças climáticas e identificar formas de fortalecer a resiliência das comunidades.
“Na última inundação que aconteceu, elas sofreram muito com as águas, tendo perdido a sua produção agrícola, mas também os seus bens”, afirmou Nzira de Deus.
Explicou que o encontro pretende igualmente criar um espaço de solidariedade e reflexão sobre formas de enfrentar as crises climáticas.
Segundo a responsável, entre as principais preocupações apresentadas pelas mulheres estão a demora no escoamento das águas, a insuficiência de informação atempada sobre zonas propensas a inundações e a falta de condições adequadas para proteger as habitações e os bens das famílias.
“Às vezes, ainda que se partilhe a informação, não tem sido efectiva. Elas lançam a semente para zonas que futuramente vêm a inundar. Então, as sementes perdem o tempo que dedicaram para aquele processo”, explicou.
A fonte acrescentou que a seca constitui igualmente um desafio, uma vez que a irregularidade das chuvas provoca a perda de sementes e pode contribuir para o surgimento de bolsas de fome nas comunidades.
Face a estes desafios, as mulheres defendem maior promoção da agroecologia, com recurso a sementes nativas e práticas que contribuam para a conservação e melhoria dos solos e do ambiente nas comunidades.
Nzira de Deus anunciou ainda a intenção de estabelecer um diálogo com o Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) e o Ministério da Agricultura, para apresentar as preocupações resultantes da reflexão e procurar respostas conjuntas para os problemas enfrentados pelas comunidades.
“Como movimento feminista, nós sempre criamos este espaço para poder reflectir e pensar sobre como é que nós podemos resistir, ser mais resilientes e fortalecer a nossa solidariedade nestes momentos de crise climática”, disse.
A iniciativa reúne mulheres camponesas dos distritos de Moinissa, Moamba, Marracuene, Matutuíne e Magude, que, segundo o Fórum Mulher, têm vindo a apresentar preocupações relacionadas com a resposta às situações de emergência climática.
A mesa-redonda, que decorre sob o tema “Mulheres e Alterações Climáticas: Provendo Alternativas Feministas para Fortalecer a Resiliência das Mulheres em Tempos de Crise Climática”, pretende culminar com recomendações para reforçar a prevenção e a capacidade de resposta das comunidades aos impactos das mudanças climáticas.
(AIM)
Laura Tembe/pc
Fonte: aimnews





