Chimoio (Moçambique), 21 Ago (AIM) — O Presidente da República e da Frelimo, Daniel Chapo, desafiou hoje os moçambicanos a saírem da zona de conforto e a trabalharem unidos para produzir resultados capazes de mudar o rumo do país, independentemente das diferenças políticas, raciais, étnicas ou religiosas.
“Devemos sair da zona de conforto e trabalhar para produzir resultados que mudem o nosso país”, afirmou Chapo, defendendo que as diferenças de pensamento não devem constituir obstáculo ao desenvolvimento de Moçambique.
O Chefe do Estado falava na abertura da XI Conferência Nacional de Quadros da Frelimo, que decorre na cidade de Chimoio, capital da província de Manica, centro de Moçambique, reunindo mais de três mil participantes, entre delegados e convidados.
O encontro conta igualmente com a presença de representantes de partidos políticos amigos da Frelimo, provenientes de vários países da região, nomeadamente o Zanu-PF, do Zimbábue, o ANC, da África do Sul, a Swapo, da Namíbia, e o Chama Cha Mapinduzi, da Tanzânia.
Para Chapo, a capacidade de pensar e aceitar diferentes pontos de vista constitui um sinal de maturidade e pode abrir novos caminhos para o progresso do país.
“Cada um, através do seu saber, pode dar o seu contributo para alcançarmos a independência económica”, afirmou, apelando à união dos moçambicanos em torno desse objectivo.
O Presidente da República explicou que a independência económica passa, entre outros aspectos, pelo aumento da auto-suficiência alimentar, através do reforço da produção nacional, bem como pela utilização dos recursos naturais para incrementar as receitas do Estado.
“Independência passa por reduzirmos a dependência externa. Fazer com que o que produzimos seja processado no nosso país. Assim estaremos a criar mais postos de emprego e a aumentar a renda das famílias e do país”, declarou.
Neste contexto, Chapo destacou a revisão de algumas leis destinadas, segundo afirmou, a garantir que os moçambicanos beneficiem de forma mais directa dos recursos existentes no território nacional.
“Queremos que o moçambicano seja o verdadeiro dono dos recursos existentes no nosso país, assegurando uma vida digna aos moçambicanos”, disse.
O Presidente mencionou igualmente iniciativas de apoio a diferentes segmentos da sociedade, com destaque para fundos destinados à juventude e às mulheres, considerando que estas medidas contribuem para melhorar as condições de vida das famílias.
Segundo Chapo, as ideias e propostas que resultarem da XI Conferência Nacional de Quadros deverão contribuir para o aperfeiçoamento destas iniciativas e para o fortalecimento das estratégias de desenvolvimento do país.
“Independência política só será completa com a económica”
O Presidente defendeu que, na visão da Frelimo, a independência política de Moçambique só estará plenamente consolidada quando for acompanhada pela independência económica.
“Desta forma deixaremos de depender da importação para o nosso sustento”, afirmou, defendendo o aumento da produção nacional e o processamento interno dos recursos e produtos.
Ao abordar a trajectória da Frelimo, Chapo recordou os diferentes desafios enfrentados pelo partido e pelo país, incluindo a luta de libertação nacional, calamidades naturais, a pandemia da COVID-19, conflitos armados e manifestações pós-eleitorais.
Segundo o Presidente, estes acontecimentos foram igualmente acompanhados por tentativas de dividir os moçambicanos, mas a Frelimo, afirmou, manteve como prioridade a defesa da unidade nacional.
“A história da Frelimo é a história do povo moçambicano e não deve ser branqueada. A Frelimo enfrentou vários desafios, mas não deixou isso acontecer porque sabemos que a nossa razão de ser é o povo”, declarou.
Chapo recorreu ainda ao pensamento do primeiro Presidente de Moçambique independente, Samora Moisés Machel, para sublinhar a importância de colocar o povo no centro das decisões.
“Devemos apoiar-nos no povo para definir e podermos materializar as nossas intenções”, citou.
Para o Presidente da República e da Frelimo, o povo deve ser simultaneamente o ponto de partida e de chegada da acção política do partido.
“Ser partido do povo é estar onde esse povo está e saber ouvir, bem como rectificar o que está errado com humildade, abrindo espaço para a participação das novas gerações. Por isso, o futuro exige uma renovação”, afirmou.
Após a sessão de abertura, marcada por intervenções e discursos de ocasião, os participantes prosseguiram esta tarde com as actividades da conferência, incluindo trabalhos em grupos destinados a aprofundar a reflexão sobre os desafios do país.
AIM/Redacção/ pc
Fonte: aimnews







