Maputo, 20 de Agosto (AIM) – A Província de Gaza pretende deixar de ser apenas uma província com elevado potencial económico para se afirmar como um território capaz de transformar oportunidades em investimentos concretos, empregos e desenvolvimento.
A ambição esteve no centro de uma intensa agenda de mobilização de parceiros, realizada em Maputo, no âmbito da preparação da II Conferência Internacional de Investimentos da Província de Gaza.
A iniciativa juntou o Governador da Província de Gaza, Alfeu Cuna, o Secretário de Estado Jaime Neto e o parceiro estratégico Edson Chichongue, representante da Business&Legal, numa ronda de contactos destinada a colocar Gaza no radar de investidores, instituições económicas, empresas tecnológicas e potenciais parceiros nacionais e internacionais.
A mensagem transmitida foi de que Gaza está aberta ao negócio, mas procura investimentos capazes de criar valor e permanecer na província.
Um dos momentos de maior significado da jornada foi o encontro com Joaquim Alberto Chissano, antigo Presidente da República e padrinho da II Conferência Internacional de Investimentos de Gaza.
Durante a conversa foram analisados o potencial económico da província, os obstáculos que ainda condicionam a concretização de investimentos e a responsabilidade dos diferentes actores na transformação das oportunidades existentes em resultados concretos para a população.
A presença de Chissano como padrinho da conferência confere uma dimensão institucional e simbólica relevante à iniciativa, num momento em que Gaza procura reforçar a sua capacidade de atrair capital, tecnologia, conhecimento e parceiros para sectores considerados estratégicos.
A agenda de Maputo prosseguiu com encontros com os corpos directivos da Câmara de Comércio de Moçambique e da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA).
Nesses encontros, a delegação provincial apresentou a sua visão e procurou reforçar a ligação com o sector empresarial. A mensagem foi sempre em torno da pretensão de Gaza de posicionar-se como destino de investimento e criar condições para uma relação mais próxima entre o Governo, empresários e investidores.
“Mais do que apresentar oportunidades, a província procura construir confiança”, disse o Governador.
De acordo com governante, a aposta é atrair parceiros que não se limitem a explorar recursos, mas que participem na criação de cadeias de valor, na geração de emprego e na transformação de matérias-primas dentro da própria província.
Entre os sectores prioritários está a agro-indústria, área com potencial para alterar profundamente a estrutura económica da província.
A existência de produção agrícola e de recursos naturais cria oportunidades que podem ser ampliadas através da industrialização, processamento, armazenamento, embalagem e comercialização.
O objectivo é reduzir a dependência da venda de produtos em estado bruto e fazer com que uma parcela maior do valor gerado permaneça em Gaza.
A transformação local poderá significar mais empresas, mais emprego e novas oportunidades para produtores, jovens e pequenas e médias empresas. Mas, para isso, será necessário investimento em infra-estruturas, energia, logística, tecnologia, financiamento e qualificação de mão-de-obra.
O turismo surge igualmente como uma das áreas que a província pretende colocar no centro da sua estratégia de captação de investimento. Gaza possui activos naturais, culturais e paisagísticos que podem sustentar uma oferta turística mais diversificada e competitiva.
A aposta, entretanto, exige infra-estruturas, promoção, segurança, conectividade e uma maior integração das comunidades locais na cadeia de valor do turismo. Na área da energia, a província procura igualmente atrair parceiros capazes de contribuir para ampliar a disponibilidade energética e apoiar o surgimento de novas actividades económicas.
Durante a missão em Maputo, a delegação provincial manteve contactos com a Direcção-Geral da Movitel, tendo discutido possibilidades de parceria destinadas a acelerar a conectividade, a inclusão digital e a implementação de soluções tecnológicas.
Num contexto em que negócios, serviços públicos, educação e acesso à informação dependem cada vez mais das tecnologias digitais, reduzir as desigualdades de acesso à Internet e às comunicações pode tornar-se um factor decisivo para o desenvolvimento provincial.
Para Gaza, a transformação digital deverá servir não apenas para ligar pessoas, mas também para ligar produtores a mercados, empresas a clientes e comunidades a oportunidades.
A visão apresentada pelo Governador Alfeu Constantino Cuna procura diferenciar a estratégia de captação de investimento. A província não quer apenas investidores interessados em oportunidades imediatas, .as sim, parceiros de longo prazo.
“Queremos parceiros que venham para ficar e que se sintam em casa”, sublinhou.
A ambição é que o investimento privado seja acompanhado por transferência de conhecimento, criação de emprego, desenvolvimento de fornecedores locais e crescimento das comunidades.
A agenda incluiu ainda um encontro com o grupo Naturais e Amigos de Gaza, num momento destinado a mobilizar cidadãos ligados à província para participarem activamente na preparação e concretização da conferência.
A iniciativa procura aproveitar não apenas o capital financeiro existente, mas também o capital humano e relacional de gazenses residentes dentro e fora da província.
Empresários, académicos, profissionais, investidores e outros naturais de Gaza podem desempenhar um papel importante na abertura de portas e na criação de parcerias. A mensagem deixada foi de mobilização, a conferência deverá ser um projecto de todos os que acreditam no potencial da província.
Já no final da jornada, realizou-se um encontro virtual com os embaixadores da conferência. O desafio colocado é fazer com que a II Conferência Internacional de Investimentos não seja apenas mais um evento na agenda económica nacional, mas uma plataforma capaz de projectar Gaza para novos mercados e aproximá-la de investidores com capacidade de concretizar projectos estruturantes.
A conferência pretende, assim, funcionar como uma montra das oportunidades existentes, mas também como espaço de diálogo entre o sector público, empresas, investidores, instituições financeiras e parceiros de desenvolvimento.
(AIM)
Redacção
Fonte: aimnews







