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Sociedade Civil exige prevenção comunitária contra extremismo violento

Maputo, 23 de Agosto (AIM) – O Global Community Engagement and Resilience Fund (GCERF) defende uma resposta integrada ao extremismo violento em Moçambique, assente na prevenção, inclusão social, oportunidades económicas e reforço da resiliência comunitária, em complemento às acções de segurança.

A necessidade de reforçar uma resposta integrada à prevenção do extremismo violento em Moçambique esteve no centro de um que reuniu a Fundação MASC, o Global Community Engagement and Resilience Fund (GCERF), o Grupo de Trabalho de Defesa e Segurança do Diálogo Nacional Inclusivo e a Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN).

O encontro defendeu uma mudança de abordagem no combate ao extremismo violento, colocando a prevenção e a resiliência das comunidades no centro das estratégias nacionais. Para os participantes, a resposta militar, embora necessária no domínio da segurança, não é suficiente para enfrentar as causas sociais, económicas e ideológicas que podem favorecer processos de radicalização.

Entre os factores identificados estão o desemprego, a falta de oportunidades, as desigualdades sociais, a discriminação, a corrupção, a marginalização e a ausência de perspectivas de vida, condições que, quando combinadas, podem aumentar a vulnerabilidade de indivíduos e comunidades à radicalização.

Durante a sessão, o representante do GCERF, Manuel Sambo, partilhou experiências sobre a prevenção do extremismo violento em Moçambique e destacou o papel das organizações da sociedade civil no fortalecimento da coesão social e da capacidade das comunidades para enfrentar situações de vulnerabilidade.

Sambo alertou, contudo, que o extremismo violento é um fenómeno multidimensional e não pode ser explicado exclusivamente pela pobreza.

Segundo o representante do GCERF, a prevenção deve combinar as dimensões de segurança, social e comunitária, uma vez que as operações militares, isoladamente, não conseguem responder às causas profundas da radicalização.

“O uso da força militar somente, não tem como resolver o que se passa nas mentes das pessoas”, disse.

A mensagem coloca a prevenção comunitária como uma componente estratégica para complementar as acções de segurança, sobretudo nas zonas onde persistem factores de vulnerabilidade social e económica.

Uma das principais propostas apresentadas durante o encontro foi a necessidade de tornar a estratégia nacional de prevenção e combate ao extremismo violento mais operacional e descentralizada.

A proposta passa pela elaboração de planos provinciais e distritais, criação de mecanismos locais de coordenação e desenvolvimento de sistemas de alerta precoce capazes de identificar e responder atempadamente a sinais de vulnerabilidade e radicalização.

A abordagem defendida pelo GCERF prevê três níveis de intervenção. A prevenção primária deverá incidir sobre pessoas e comunidades vulneráveis; a prevenção secundária deverá responder a situações em que já existam sinais de radicalização ou recrutamento; enquanto a prevenção terciária deverá concentrar-se na desradicalização e reintegração de pessoas radicalizadas.

A descentralização é apontada como fundamental para aproximar as respostas das comunidades e permitir que as estratégias nacionais sejam adaptadas às diferentes realidades locais.

O encontro analisou igualmente a relação entre recursos naturais e financiamento da violência, além das diferenças conceptuais entre terrorismo, insurgência e extremismo violento.

Outro dos pontos considerados sensíveis foi a reintegração de pessoas anteriormente envolvidas em grupos armados. Neste domínio, os participantes destacaram a necessidade de acompanhamento psicológico, triagem e categorização dos envolvidos, mas também de um maior envolvimento das próprias comunidades.

A participação comunitária no processo de reintegração é considerada essencial para reduzir o estigma, reconstruir relações de confiança e facilitar o regresso à vida comunitária.

A participação da Fundação MASC no encontro ocorre num contexto de implementação do Projecto AMANI – Construção de Paz e de Resiliência, apoiado pelo GCERF.

O projecto desenvolve intervenções nas províncias de Cabo Delgado, Nampula e Niassa, com enfoque no fortalecimento da resiliência comunitária, prevenção da violência extrema, melhoria das oportunidades económicas para os jovens e promoção do diálogo e da coesão social.

A experiência do projecto foi também enquadrada no debate sobre a necessidade de reforçar as capacidades das comunidades para prevenir conflitos e responder aos factores que podem alimentar a violência e a radicalização.

As discussões convergiram para a necessidade de uma resposta coordenada entre o Estado, a sociedade civil e as comunidades, assente numa combinação entre prevenção de longo prazo, confiança institucional e melhoria das condições sociais e económicas.

Para a Fundação MASC, o encontro constituiu uma oportunidade para partilhar experiências, reforçar alianças e contribuir para o aperfeiçoamento das abordagens de prevenção da violência extrema, em articulação com as intervenções do Projecto AMANI.

(AIM)
Paulino Checo/

 

Fonte: aimnews

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