Não é novidade para ninguém que o formato físico vai acabar. Aliás, seria sempre uma questão de tempo. Mas a questão aqui é que isso só deveria acontecer quando o sistema estivesse pronto, e não apenas e só por questões de “dinheiros”.
Infelizmente, apesar de já não ser possível travar a “coisa”, o que aconteceu do lado da Xbox demonstra que os sistemas ainda não estão ao nível que é necessário.

Como deves saber, a Sony anunciou que os jogos físicos vão desaparecer do mercado em 2028. Uma estratégia que deverá ser replicada por todas as outras empresas do setor.
Ou seja, a indústria quer-nos vender a todo o custo a ideia de que o futuro dos videojogos é 100% digital e sem suportes físicos. O problema? É que essa estrada rumo ao futuro digital está completamente minada de buracos.
A Microsoft acabou de mostrar a toda a gente o quão frágil e absurda é esta dependência absoluta da nuvem. Estamos a falar do “apagão” que deixou todos os jogadores do ecossistema Xbox… sem jogar.

Portanto, segundo o próprio CTO da Xbox, Scott Van Vliet, a culpa do apagão foi de uma falha num serviço externo de verificação de licenças (os entitlement checks). Na linguagem pomposa da gigante de Redmond, trata-se do sistema que confirma se realmente pagaste pelo jogo que estás a tentar abrir. Quando esse serviço ruiu, arrastou consigo a rede inteira. Isto significa que ninguém conseguia fazer login, comprar nada na loja ou simplesmente abrir os jogos que já tinha instalado no disco rígido.
Mas o que deixa qualquer pessoa genuinamente fula é ver jogos físicos, sim, aqueles discos de plástico que compraste na loja e guardaste na prateleira… totalmente bloqueados. Como é que é aceitável que a verificação de um código num servidor do outro lado do Atlântico te impeça de jogar a campanha a solo de um jogo que tens fisicamente nas mãos?
Tens o jogo, mas ele não funciona. Não faz mesmo grande sentido. O formato físico já não funciona em 2026.
A transparência da equipa da Xbox e a promessa de isolar estes sistemas para não voltar a acontecer são de louvar, mas não resolvem o problema de fundo. Esta obsessão do mercado em remover a posse real das mãos do utilizador significa que investes milhares de euros numa biblioteca de jogos que, num piscar de olhos ou por causa de uma linha de código mal escrita, se transforma em pó.
Não é aceitável.
Fonte: Zero Zero



