Resumo
Após o jogo Colômbia-Portugal em Miami, um jovem brasileiro chamado Paulo Victor foi encontrado a chorar copiosamente perto do estádio. Aparentemente, o motivo das lágrimas era ter conseguido cumprimentar Cristiano Ronaldo, um sonho tornado realidade para ele. Paulo viajou de São Caetano apenas para ver o jogador de perto, e o momento em que Ronaldo lhe deu um cumprimento deixou-o emocionado. O pai de Paulo, dono de uma agência de comunicação em São Paulo, estava presente e confirmou que o choro era de felicidade. Este episódio demonstra a intensa admiração e emoção que Cristiano Ronaldo desperta nos seus fãs, levando-os a fazer grandes esforços para estar perto do jogador.
Passei por ele, olhei, tentei perceber que tipo de choro era, mas ele nem reparou em mim. Continuava a chorar insistentemente. A cara dele não me era estranha, poucos minutos antes tinha estado na zona mista, na zona onde estavam os jornalistas brasileiros.
A minha primeira reação, naturalmente, foi pensar que tinha recebido alguma notícia terrível. Talvez alguma coisa tivesse acontecido a algum familiar.
Achei melhor não perguntar nada, segui em frente, e uns vinte metros à frente encontrei outro brasileiro, mais velho, a falar ao telemóvel.
- Sabe o que se passa com aquele rapaz?
- Está tudo bem, tudo bem.
- Tudo bem não pode estar, ele não pára de chorar.
- Não, está tudo bem, mesmo. Eu sou o pai dele.
- Então porque é que ele está a chorar daquela forma?
- Porque tocou no Cristiano Ronaldo.
Nessa altura fiquei ainda mais preocupado. Quer dizer, este Mundial tem dado para ver as reações mais loucas em relação a Ronaldo. Já vi uma brasileira, num treino em Palm Beach gritar para Ronaldo, ele acenar-lhe com a mão e ela ficar completamente histérica.
Já vi pessoas que vieram da Austrália, da Índia, de todo o lado para o ver. No nosso hotel, a 200 metros do hotel da seleção, está instalada uma família que veio do Canadá e todos os dias vai para a praia à espera de tentar ver Ronaldo em mais um passeio ou a apanhar sol.
Mas a chorar copiosamente, com a cabeça deitada sobre um daqueles caixotes do lixo tapados por cima, isso era algo verdadeiramente novo. E não era propriamente um bom sinal.
Decidi aproximar-me e perguntar o que era aquilo.
Afinal de contas, o caso era grave. Já não havia o risco de estar a interromper um momento de sofrimento com alguma má notícia, é certo, mas uma reação assim, como diz o médico Eduardo Barroso, é um estado passageiro que não augura nada de bom. Acabei por descobrir que se chama Paulo Victor e que viajou de São Caetano só para ver Cristiano Ronaldo.
«Ele olhou para mim e deu-me um soquinho na mão. Fiquei sem reação, a minha mão começou a formigar», soluçou no meio do choro.
«Eu só falei: Cristiano, só um soquinho, só um soquinho, por favor. E ele veio, sorriu-me e deu-me um soquinho. Eu encostei esta mão na dele. Ainda não acredito que isso aconteceu. Foi uma coisa que eu disse ao meu pai, uma coisa que eu nunca imaginei que ia acontecer. Eu nem imaginava que ia ver um jogo dele. Hoje consegui vê-lo de muito de pertinho.»
O pai é dono de uma agência de comunicação, que distribui notícias através de um jornal e uma rádio online, na qual trabalham treze pessoas, em São Caetano, estado de São Paulo. Pela quinta-feira seguida, conseguiram ser credenciados pela FIFA para um Mundial e o pai trouxe o filho, também como jornalista e produtor de conteúdos, com ele.
«Há tanto tempo que tentava realizar este sonho... Desde pequeno. Cristiano foi a pessoa que me apresentou o futebol. Desde quando comecei a gostar de futebol, assisti sempre aos jogos dele, gostei sempre dele. E hoje estar aqui, com meu pai, é algo que eu não sei, não posso falar em palavras.»
Durante algum tempo tinha pensado não o interromper. Deixá-lo falar, e chorar, e falar, e chorar. Mas, entretanto, os meus colegas já estão a chamar por mim, faltam oito minutos par ao shuttle da FIFA partir e tínhamos de sair a voar. Estava tudo bem, não é?
«Está tudo ótimo. Este dia está mais do que ótimo, está um dia incrível para mim. Assisti a uma jogo do Cristiano Ronaldo e consegui vê-lo de perto e até toquei nele», atira.
«É algo que eu nunca imaginei que ia acontecer. Nunca, nunca, nunca, nunca, nunca na minha vida. E eu vejo sempre os jogos dele, vejo sempre tudo o que ele faz. Viajei do Brasil, de São Caetano do Sul, para o ver e consegui muito mais do que isso.»
Fonte: CNN Portugal





