Agosto é o melhor mês do ano para olhar para cima em Portugal. Não é apenas por causa do eclipse do dia 12. Por essa mesma altura acontece também o pico das Perseidas. Trata-se da chuva de estrelas mais popular do hemisfério norte, aquela que enche o céu de riscos luminosos e que dá às noites de verão a desculpa perfeita para ficar acordado até tarde. E a melhor parte é que não precisas de comprar nada para a ver. Não percas mesmo a chuva de estrelas em Agosto.
Ao contrário do que o nome sugere, não há estrelas nenhumas a cair. O que vês são fragmentos deixados no espaço pelo cometa Swift-Tuttle, a maioria não maior do que um grão de areia, a entrar na atmosfera da Terra a velocidades enormes. O atrito aquece o ar à volta de cada partícula e é esse rasto incandescente que te aparece como um risco branco no céu, muitas vezes durante menos de um segundo.

Chamam-se Perseidas porque, visto da Terra, todos esses riscos parecem irradiar de um mesmo ponto na constelação de Perseu. É uma ilusão de perspetiva, a mesma que faz com que as linhas de uma estrada pareçam convergir ao longe.
O pico acontece habitualmente por volta das noites de 12 e 13 de agosto, mas há atividade visível durante vários dias antes e depois, o que te dá margem para escolher a noite de céu mais limpo. As melhores horas são as da madrugada, entre a meia-noite e o nascer do sol, quando o ponto de irradiação já subiu bem alto no céu e a rotação da Terra te coloca virado de frente para a corrente de fragmentos.
Se conseguires uma noite sem lua brilhante, ainda melhor: o maior inimigo de qualquer chuva de estrelas é a luz, venha ela do céu ou do chão.
Não é equipamento. Telescópios e binóculos são, aliás, contraproducentes, porque fecham o campo de visão e o que precisas aqui é do maior pedaço de céu possível, a olho nu, portanto.

O que muda tudo é escolher um sítio escuro, longe das luzes das cidades, e depois ter paciência. Os olhos demoram cerca de vinte minutos a adaptar-se por completo à escuridão. Entretanto basta olhares para o ecrã do telemóvel uma vez para deitares essa adaptação a perder. Deixa o telemóvel de lado ou põe-no no modo mais escuro que tiveres. Depois deita-te de costas para abranger mais céu, e não fixes um ponto. Assim olha para o largo, porque os meteoros aparecem em qualquer direção.
Leva uma manta ou uma espreguiçadeira. Meia hora com o pescoço torcido para cima cura qualquer entusiasmo astronómico.
Vale a pena aproveitar a mesma noite para o resto. Longe das luzes da cidade, a faixa da Via Láctea torna-se visível a olho nu no verão português. Nessa altura do ano é fácil apanhar planetas brilhantes sem qualquer instrumento. Uma aplicação de mapa celeste ajuda a identificar o que estás a ver, só convém ligá-la depois de teres decidido onde te instalar, para não estragar a adaptação ao escuro.
Fonte: Zero Zero






